22 novembro 2012

Do custo

Não gosto de comprar livros. Não é bem não gostar. Eu gosto de comprar livros, eu adoro comprar livros. Não gosto é do preço deles. Adquiri recentemente dois livros do Saramago. Sendo literatura portuguesa, não dá para fazer aquele truque que é comprar o original inglês que é bem mais barato. Um deles comprei na promoção dos 50%, por altura do aniversário do Saramago, e por isso ficou por 8€. Mas o outro, adquirido, na ignorância, um dia antes da promoção, custou 16€ (e sim, eu sei que podia ir devolver e comprar de novo, mas deitei o talão logo para o lixo). E eu não costumo chorar o dinheiro dos livros, mas caramba! são 3 contos! Está bem que o livro é grande e tem mais de 400 páginas, mas são 16€. E o que me deixou ainda mais podre foi que no dia seguinte eles vendiam os mesmos livros a metade do preço, o que provavelmente quer dizer que, mesmo a metade do preço, as editoras não têm prejuízo, por isso é ver o dinheiro que nos roubam frequentemente. Estive também a dar uma vista de olhos num catálogo da Fnac e vi que qualquer livrozito, por mais rasca que fosse, não custa menos de 15, 20€, alguns 30€ até. O que é muito dinheiro. Até aqueles livrinhos que se vendem nos supermercados, que têm capas bonitas e brilhantes e às vezes ofertas, como saquinhos de tule e outras coisas bonitas, são todos caríssimos! 20€ por um livro é muito dinheiro. Livros que nem sequer são de capa dura, factor que costumava fazer a diferenciação de preço. Devia haver uma alternativa às edições mais caras. O Saramago tem as suas obras editadas na Caminho e o preço normal são os 16€. Mas o Intermitências da Morte, por exemplo, tem uma edição livro de bolso, que eu tenho e que é precisamente igual aos outros, com a vantagem de ser mais pequeno e mais portátil portanto, e que me custou pouco mais de 5€, um terço do preço. Porque é que não há edições mais baratas de todos os livros? Assim se percebe porque é que as pessoas não lêem: porque não têm dinheiro!

14 comentários:

teardrop disse...

Subscrevo completamente. A minha irmã costuma dizer que eu devo pensar que sou rica porque costumo comprar alguns livros. De facto, é um bocadinho verdade, temos que ter algum dinheiro para ter acesso a ler, o que é muito triste. E um país que não lê não pode mesmo andar para a frente!

trollofthenorth disse...

A parte física do papel tem outro encanto, mas recentemente rendi-me não ao Kindle mas a uma app para tablet. Fica mais barato. Ainda não uso com frequência. Mas é uma vergonha dar quase 4 contos de rei por um livro.

Gostos não se discutem disse...

Verdade- No entanto a malta arranja sempre dinheiro para ler os livros da moda aka As 50 sombras de Grey. :(

stantans disse...

pff eu nesta última feira do livro fui lá de propósito comprar um livro que supostamente estava em promoção apenas nesse dia, para dois dias depois quando fui lá passear ver o mesmo livro quase 5 euros mais barato. só a capa era diferente :/

Luna disse...

Bem, eu tenho umas confissões a fazer. Primeira, estou rendidíssima ao Kindle, e neste momento até prefiro aos livros em papel quando em inglês, pq tem dicionário incorporado, e dá para ver significados instantaneamente. Segundo, pq consegues livros baratissimos em inglês na amazon. Terceiro pq também encontras livros grátis em torrents como em filmes e séries, e só por isso já paguei o kindle - e aqui tenho uma regra de ética: só saco livros de escritores mortos, clássicos, ou que também tenho em papel - e que por causa do dicionário prefiro em kindle -, ou de resto compro. Mas mesmo assim compensa muito: por exemplo comprei o Redbreast do Jo Nesbo por 4€, que certamente em português custaria pelo menos uns 16-20€.

Luna disse...

p.s. livros em portugues ainda só compro em papel: custa-me muito dar o mesmo dinheiro por um livro em versão digital que em papel, e os livros em português custam sempre o mesmo ou até mais.

Luna disse...

p.s.2. já agora, a minha ética é a seguinte: um escritor depende da venda dos seus livros para viver, e como tal estou a pagar o seu trabalho, que eu consumo. já com escritores mortos, especialmente clássicos, não estou a pagar nem o trabalho do escritor (e nem ao próprio escritor), nem o custo da impressão da sua obra em termos materiais.

Maat disse...

Luna, também, em relação aos direitos de autor de autores clássicos, não estarias a cometer nenhuma ilegalidade, porque os direitos de autor só começaram a existir na década de 60 (ou 70, talvez, não tenho bem a certeza). por isso todas as obras anteriores estão disponíveis de forma gratuita. basta ires a sites como project gutenberg, por exemplo.

em relação ao kindle, apesar de já ter visto um de perto e analisado todas as funcionalidades e aquilo de facto me ter surpreendido, nomeadamente a questão de funcionar ao sol, à semelhança de um livro normal, ainda não fiquei totalmente convencida. em parte porque sou um bocado velho do restelo e estou 'agarrada' ao papel e em parte porque é um investimento inicial um bocado grande, apesar de, como dizes, ser facilmente recuperável.
já agora, aproveito para fazer um elogio aos aos senhores da amazon, que quando o kindle de um amigo meu se estragou e ele enviou um mail a expor a questão, prontamente lhe enviaram um novo, sem qualquer tipo de custo.

Troll, em relação à app para tablet, para mim também não seria solução pois não tenho tablet, logo não seria viváel para mim.

Luna disse...

Maat eu tambem era como tu, e mesmo depois de comprar o kindle demorei uns meses a adoptá-lo. Mas é mesmo questao de hábito e até dá para ler na praia - já testei e prova superada.

Quel* disse...

Assino por baixo. Gosto tanto de livros mas não compro por serem caros :(

kiss me disse...

Não é 50% mas hoje a WOOK está com 20-25%

Eu tenho tablet, também já descarreguei uns quantos clássicos e já comprei dois na wook, mas confesso que ainda não me rendi, o papel continua a ter a minha preferência (e eu adoro gadgets).

Anónimo disse...

Pessoas do kindle: só uma dica, provavelmente conhecida, mas existe sempre a possibilidade com o kindle de se fazer parte de uma especie de clube de trocas (tmporarias) de livros. Nao sei bem com dunciona mas ouvi dizer q é muito pratico e economico,
Ricardo

Rachelet disse...

Solução: bibliotecas. É 100% grátis, evita estar a dar dinheiro por aqueles livros que depois são monos porque não valeram o dinheiro que custaram, não ocupa espaço, não ganha pó nem ácaros e permite ler um montão de autores sem ter de estar a entrar em hipermercados e lojas afins.

Como pessoa que vive das Letras e fa delas também o seu lazer, não quero outra coisa.

Anónimo disse...

Tenho vários Livros para vender , a 3,50 euros ,posso deixar lista,

mjsm1689@gmail.com

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