20 janeiro 2012

Da caridade

Não gosto de caridade. De dar coisas para caridade. A partir de agora. Há coisas impressionantes. Realizámos aqui na empresa uma recolha de bens no Natal (roupa, comida...) para darmos a uma instituição de caridade, imbuídos do espírito de partilha e entreajuda. No final, tudo arrumado, deu nove caixotes de roupa mais a comida. Eis que ligamos para a instituição a quem decidimos oferecer a nossa ajuda (que eu não vou referir o nome mas que começa por 'C' e acaba em 'ruz Vermelha'), para eles virem buscar os caixotes. Ai que não podiam, que não lhes davam muito jeito, que as carrinhas não sei quê. Desculpas e mais desculpas, estiveram ali os caixotes um mês à espera, até que alguém daqui se fartou e foi lá levar. E agora digam-me, acham que há vontade para dar alguma coisa? Pedimos às pessoas para contribuírem, fazemos a recolha, e depois a vontade de receber e de se mexerem é pouca. Por mim, nem que deitasse as coisas no lixo, não ia lá levar nada, depois desta atitude. De certeza que haveria muito mais pessoas ou instituições interessadas em receber o que tínhamos para dar. Cruz Vermelha, vai-te catar!

11 comentários:

Este Blogue precisa de um nome disse...

Nós aqui também fizemos isso. E eles vieram buscar e todas as semanas o fazem. Todas as semanas vêm cá recolher alimentos. Ajudamos 5 instituições. Sabes que até para se ser ajudado é preciso humildade...

Anónimo disse...

Eu acho q se de ve ajudar outras intituições mais pequenas ou msm ajudar as pessoas directamente...pq essas grandes instituições grandes, digamos assim, como a cruz vermelha e banco alimentar deixa me muitas duvidas onde vao parar as coisas que damos....ja ouvi mtuitas histórias... como por exemplo ficarem lá com a comida ate apodrecer e nao nao darem as pessoas q realmente precisam...

Rui Pi disse...

Aqui em casa também já se desistiu de se dar coisas à Cruz Vermelha depois de um elemento próximo ter confirmado que os sacos que levamos até ao posto mais próximo continuavam exactamente no mesmo sítio, passados mais de dois meses.
Dar à comunidade cigana aqui da zona, aparentemente necessitada, também já é coisa que não se faz desde que se reparou que para eles lavar a roupa dá demasiado trabalho, pelo que quando esta está muito suja é colocada nos contentores do lixo ou queimada.
Vai-se perdendo a vontade...

Espiral disse...

Olá.

Sou voluntária da Cruz Vermelha (faço serviço de urgência pré hospitalar para além de outros serviços de âmbito psico social) e gostava de esclarecer:

- Há unidades que realmente não estão preparadas para fazer serviço psico-social. Não é falta de vontade. É falta de pessoas. Como realço, somos todos voluntários e nem sempre há tempo disponível. Eu dou 12 horas por semana. Lamentavelmente não posso dar mais. Por norma. Por isso sim é complicado. Mas na minha unidade há equipa psico-social (da qual faço parte, como psicóloga)e no nosso caso há um esforço para ir buscar esse tipo de ajuda. Mas repito, não é fácil, não depende só de nós e não, não há carros à disposição para ir buscar tão facilmente. (Sei o que digo, os meus colegas que estão lá de dia, assalariados, obviamente, fartam-se de trabalhar).

Por isso não culpem a Cruz Vermelha. Nem culpem unidades especificas. Há muito trabalho a ser feito. A cruz vermelha é uma entidade digna. Já dei muitos cabazes de comida a muitas familias da região em que vivo (estive lá.). Ainda na terça feira estive a fazer noite, urgência. Não se dorme muito nessas noites sabem? E eu trabalho no dia a seguir. No trabalho que me dá para viver e comer.

por isso desculpem o comentário, mas fico triste quando vejo as pessoas a desconfiarem das instituições e das pessoas. Porque estas instituições só vivem por causa das pessoas que voluntariamente dão o seu tempo. E são poucas, muito poucas. E talvez por isso às vezes não consigam chegar a todo lado.

E não, não é por falta de vontade.

Desculpem o comentário longo.

Rui Pi disse...

Entendo perfeitamente o teu comentário, Espiral. Contudo, olha para o caso que eu referi. Mais de dois meses com sacos de roupa empilhados a um canto?! Não é um bocado de exagero? Se a instituição não tem capacidade então que informe as pessoas disso mesmo. Quem oferece roupa (por exemplo), tem vontade de ajudar e certamente que não se importa de ouvir dizer "por favor, doem a esta ou aquela instituição porque neste momento não conseguimos fazer nada com isso". Se as pessoas dão à Cruz Vermelha é porque confiam, mas a instituição tem que fazer ver que é de confiança. Pessoas necessitadas existem sempre mas, felizmente, também não há apenas UMA instituição de ajuda.

A Flor disse...

O triste é que nós chateamo-nos com as instituições e quem sofre são as pessoas que precisam. Por acaso não tenho razão nenhuma de queixa da Cruz Vermelha da minha cidade, mas já tentei levar roupa à Igreja (por saber que têm um programa de ajuda aos necessitados) e mandaram-me dar uma volta.

Rachelet disse...

Também já me aconteceu casos como esses que aqui falam de me dizerem que não dá jeito naquela altura terem ali os sacos ou de saber que as coisas ficam ali a apodrecer (no caso de alimentos e perecíveis) sem serventia.

Também há aquela questão dos contentores de roupa que há em algumas zonas. A ideia é boa: a pessoa tem sacos de roupa para dar, vai até aos contentores e deita os sacos, que supostamente vão para países carenciados. No entanto, já vi uma reportagem a falar que a roupa boa é triada para revender e a má (leia-se não só a que está em mau estado, mas a que não é de marca) é incinerada. Que lata!

Maat disse...

Rachelet: nem de propósito. este fim de semana fui a um contentor desses levar 3 sacos de roupa. fui a um mas alguém tinha vandalizado aquilo, a alavanca não funcionava e a roupa estava toda espalhada no chão. fui a outro contentor, onde depositei os sacos e tirei informações. quando cheguei a casa fui procurar por wippytex lda, é o nome de uma empresa que tem lá, e encontrei essa informção de que me falas, que a roupa é reaproveitada, mandada para mercados de países de terceiro mundo, queimada, ou então aproveitam as fibras para fazer novas roupas que vendem.
quando liguei para o telefone da câmara que estava no contentor para avisar que aquilo estava tudo estragado, a senhora disse que ia avisar a empresa que faz a recolha, o que confirma que não é a Câmara que trata daquilo mas uma empresa privada. bah...

Rachelet disse...

Pois, eu já só deixo nos contentores aqueles trapos que, não estando em mau estado (coisas rotas e rasgadas vão para o lixo), nota-se que já tem uso (alguns borbotos, as cores menos vivas, etc.) para que possam reaproveitar o tecido de alguma forma. Mas fico sempre a pensar se não vão queimar tudo e se não teria feito melhor em poupar gasolina e deixar no contentor do lixo da minha rua.

Também há por aqui aquele hábito de deixar os sacos com roupa abertos no chão à beira dos contentores e, volta e meia, vejo gente a revistá-los e a tirar o que lhes interessa. Faz-me um bocado de confusão, mas pelo menos, vejo que é aproveitado.

Anónimo disse...

Isso é verdade, é preferível colocar os sacos de roupa boa num bom saco aberto, que as pessoas aproveitam.
Há muita gente sem condições financeiras. É melhor do que a queimarem, ou fazer sabe-se lá o quê!

Olhar horizontes disse...

E porque nao reaproveitar toda a roupa que ja nao se utiliza? Nao se faz ja a separacao dos plasticos das garrafas, etc... Olhemos para o espanhois os franceses que ja o fazem ha muitos anos. Abre a tua mente....

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