11 outubro 2012
Da arte
Não gosto de tirar fotografias. Por alguma razão obscura, sempre que alguém me tira alguma foto, acontece alguma coisa que atrasa o processo em muito mais tempo do que aquele que é socialmente aceitável. Primeiro escolhemos a pose, pomos o nosso melhor sorriso amarelo e ficamos à espera, à espera que algo aconteça. Mas nada acontece durante segundos, enquanto estamos imóveis à espera da fotografia. Até que, reparando na demora fora do normal, perguntamos 'então?'. É nesse preciso momento que o aparelho dispara, dando origem a uma foto de boca aberta e expressão de impacência. Então tiramos outra. Mais uma pose, um sorriso amarelo, mais uns segundos infinitos de espera mas, desta vez, já não perguntamos nada, com medo. Ficamos apenas ali à espera, num tempo que me parecem meses. Finalmente o aparelho dispara e o fotógrafo de serviço informa-nos que ficámos de olhos fechados e temos de repetir. Nesta altura, perguntamo-nos mentalmente porque nos sujeitamos àquilo, mas, uma vez que o sofrimento já foi tanto, mais vale ficar com uma foto de jeito e damos mais uma oportunidade. Outra pose, outro sorriso amarelo, mas desta vez com o aviso 'tira isso rápido'. O fotógrafo, já com algum receio pela sua vida, lá dispara rápido, mas um bocado à sorte. Quando vamos a ver, estamos com um olho mais fechado que o outro e a foto até está desfocada, mas nesta altura, depois de minutos da nossa vida perdidos, já só queremos que a foto se foda e vamos à nossa vida.
10 outubro 2012
Da inovação
Não gosto de persianas eléctricas. Hoje em dia, em construções novas, não se montam persianas manuais. As persianas eléctricas são o último grito em tecnologia aplicada a habitações. Ora, apesar de não ser possuidora desta bela inovação tecnológica, isso não me impedirá certamente de opinar acerca dela. A primeira e principal razão para a minha embirração é o tempo que demoram a fechar/abrir. Não sei se quem as inventou reparou, mas uma persiana manual abre-se/fecha-se em cerca de 1/5 do tempo, pelo menos. Nas manuais, nós controlamos o nosso ritmo. As eléctricas têm o seu próprio ritmo, que não pode ser altrerado. Segundo, se falhar a luz, as persianas ficam como estavam. Certo? Neste ponto, não tenho a certeza, pois o sistema poderá prever esta situação e ter um botão para casos de emergência (o portão eléctrico da minha garagem, por exemplo, tem uma alavanca que permite que se abra e feche manualmente em caso de corte de energia). Teceiro, os interruptores de controlo são muito estranhos e confusos. Não sei porque são sempre dois, quando apenas um faria o serviço perfeitamente. A última razão, apontada por alguém próximo de mim que já não me lembro quem foi, mas provavelente teria filhos, é que quando há crianças em casa, aquilo provavelmente é o divertimento perfeito: subir, descer, subir, descer, descer, subir, descer, subir, subir, subir...
(inspirado por este post da kiss me)
(inspirado por este post da kiss me)
09 outubro 2012
Da complexidade
Não gosto de rotundas. Ninguém sabe muito bem as leis do código da estrada nas rotundas. É uma espécie de twilight zone. Basta passar pela rotunda AEP em hora de ponta para se verificar que é uma dimensão diferente e se rege por leis de outro universo. Uns dizem que as rotundas se fazem por fora, outros dizem que agora é por dentro e anda-se assim nesta indecisão. Enquanto as pessoas não se decidem, os acidentes sucedem-se. Por acaso nunca tive nenhum, mas porque entro nas rotundas sempre com muito cuidado e sempre a pensar que os outros vão fazer tudo de mal. E tenho-me safado. O que eu faço, e tenho feito sempre, é ir por dentro até chegar a minha saída, altura em que vou para a faixa da direita e saio. Mas sei lá eu se ando a fazer merda há anos... Nas aulas de condução, aprendi que se devia fazer sempre por fora, mas isso não tem sentido, porque assim as faixas de dentro seriam inúteis, porque ninguém ia usá-las. Alguém que me diga, com certezas absolutas, como é que se deve andar nas rotundas hoje em dia, de modo a que, se eventualmente tivermos um acidente, não tenhamos de pagar nada a ninguém.
08 outubro 2012
Da palhaçada
Não gosto de falta de respeito. Ou de gozo. Ou o que quer que tenha sido aquilo que se passou na passada quinta-feira, dia 4 de Outubro, à noite. Para quem não sabe, dia 4 de Outubro foi o Dia do Animal. Parece-me que não era um acto ignorado pelas televisões, pois até passaram reportagens especiais nos telejornais acerca disso. Posto isto, não sei o que passou pela cabeça das bestas que decidem a programação da RTP para, em horário nobre, passarem uma corrida de touros. Já é lamentável que o façam em qualquer outra altura, mas, apesar de ser contra, percebo que não há muito a fazer pois é uma tradição nacional. Agora porem de lado qualquer vestígio de bom senso e decência e passar uma corrida de touros no Dia do Animal é uma tremenda falta de respeito. Ou gozo. Ou sentido de humor mórbido. Nem sei bem o que lhe chamar. Sei que fiquei completamente atónita quando vi aquilo a dar na televisão e imediatamente mudei de canal. Não consigo exprimir a minha repulsa por esse acto e, assim sendo, só espero que a RTP, como serviço público, acabe mesmo e o palhaço/a que decidiu/autorizou que a corrida fosse transmitida seja despedido, para não mais voltar. Idiotas.
PS: Escrevi ao Provedor a demonstrar o meu descontentamento. A quem tem a minha opinião, que o faça também. Pode ser que percebam a trampa que fizeram.
PS: Escrevi ao Provedor a demonstrar o meu descontentamento. A quem tem a minha opinião, que o faça também. Pode ser que percebam a trampa que fizeram.
04 outubro 2012
Da surrealidade
Não gosto do Woody Allen. Este dos últimos tempos. Fui ontem ver o 'To Rome With Love' e, senhores... senti vergonha alheia por ele. Eu já tinha lido em vários sítios que o filme era fraquinho, mas eu gosto de confirmar com os meus olhos. E confirma-se. É muuuito fraquinho. Tão fraquinho que dói. Eu gosto bastante de Woody Allen. Já vi vários filmes dele (não todos, que ele tem dezenas) e são bastante bons alguns. Os filmes têm vindo a decrescer na qualidade ao longo dos anos, apesar de haver alguns mais recentes que eu gosto muito. O 'Whatever Works', por exemplo, até porque eu sou igualzinha à personagem do Larry David, tal e qual. Também gosto muito do 'Vicky Cristina Barcelona', apesar da personagem irrirante da Scarlett. Mas estes dois últimos... O 'Midnight in Paris' foi muito fraquinho e até saí do cinema com um misto de desilusão e perplexidade (perplexidade no sentido de 'como é possível ele ter-se lembrado disto...?'). Mas pronto, uma pessoa pensa que são devaneios temporários e que tudo voltará ao normal. Errado. Cada vez piora mais. No 'To Rome With Love' nenhuma das histórias faz sentido, é tudo muito inverosímil, muito fraco, muito parvo. Pode ser que agora que deixou a Europa e voltou a filmar na América, o juízo regresse.
P.S.: Já agora, quem viu, também reparou que pelo menos duas personagens femininas tinham bigode? A mulher do Leopoldo e a recém-casada Milly.
P.S.: Já agora, quem viu, também reparou que pelo menos duas personagens femininas tinham bigode? A mulher do Leopoldo e a recém-casada Milly.
03 outubro 2012
Das regalias
Não gosto de professores. De professores que se vêem queixar das condições que têm (preparem-se, vem aí post polémico e digno de hate mail). Não tenho nada contra os professores em geral, excepto o facto de estarem muito mal habituados. Aqui há tempos, li uma entrevista que só me deu vontade de partir cabeças. A entrevista focava-se na situação que agora muitos professores vão passar, supostamente, que é ou não terem horários ou terem sido deslocalizados ou terem de fazer outra coisa diferente do que têm vindo a fazer nos últimos 15 anos. E dizia um Sr. Professor, cheio de razão e à boca cheia 'Não é igual trabalharmos a 30 ou 40 km de casa, isso implica despesas'. Oh Senhor Professor, quem diria, que com a sua educação só agora percebeu isso! Se calhar não se apercebeu é que a maioria dos mortais não trabalha à porta de casa, nem vai a pé para o trabalho, nem vai almoçar a casa. Não, o comum dos mortais tem de fazer diariamente 20, 30, 40 ou mais kms para o trabalho, tem de estar horas em filas de trânsito ou em trsnsportes públicos, tem de gastar dinheiro para almoçar e não ganha nem mais um cêntimo por isso. E, Sr. Professor, olhe que muitas vezes estas pessoas não ganham nem metade do que o senhor ganha. Sim, ouviu bem. Um professor que dê aulas há 10, 15 anos ganha quanto? 1500€? Mais? Não tenho bem a noção, mas sei que um professor em início de carreira ganha cerca de 1200€, por isso não me venham dizer que são mal pagos. Mais, o senhor queixava-se também que a carga horária semanal ia aumentar de 22h para 24h semanais (penso que era assim). Sr. Professor, não sei se também o informaram já, mas o comum dos mortais trabalha 40 (!!) horas semanais. Sim, quase o dobro do que o senhor trabalha. E não venha com a conversa que tem de corrigir testes fora do horário, que eu também tenho de acabar o meu trabalho fora do horário e ninguém me paga horas extraoordinárias. Por isso, Senhores Professores de Portugal, olhem à vossa volta e párem de se armar em coitadinhos quando ainda têm trabalho, o que hoje em dia já é um bocado raro. E, se não estiverem satisfeitos, aposto que muitos professores em início de carreira e que não têm colocação não se importam de vos substituir nos vossos trabalhos mal pagos de 24 horas semanais e a 40 kms de casa.
02 outubro 2012
Da obrigatoriedade
Não gosto de ginásios. Já falei disso por aqui, de alguns aspectos que me irritam nos ginásios, nomeadamete o exercício e os tarados por exercício, mas desta vez vou-me concentrar num aspecto mais administrativo. O contrato que temos de fazer para frequentar um ginásio (que fique aqui bem explícito que eu sei disto não por experiência própria, mas por amigos, pessoas que trabalham lá, etc.). Então é assim: sim, senhor, uma pessoa decide-se a ser saudável e quer entrar para um ginásio para fazer exercício. Mas não é assim tão fácil, porque primeiro tem de assinar um contrato a dizer que vai andar lá no próximo ano. Pagar a taxa de inscrição e a mensalidade respectiva (isto da taxa de inscrição sempre me fez espécie, mas vamos ignorar por agora). Assinamos um contrato, tudo bem, e lá começamos a exercitar-nos. Até que, passados três meses, nos passa a vontade e deixamos de ir lá, como era de prever. E queremos deixar de pagar. Mas não nos deixam. Temos de pagar até ao fim do contrato mesmo que nunca mais lá vamos. Há apenas três motivos que nos permitem cancelar o contrato: razões de saúde, desemprego ou mudança de local de trabalho (pode haver mais algum, mas desconheço). Ou seja, não basta estarmos fartos de ir lá para cancelar o contrato, temos de ter uma razão válida. No meu caso, seria fácil arranjar uma declaração a dizer que mudei de local de trabalho, mas não funciona assim com toda a gente, e depois têm de estar presos àquilo, a pagar para cima de 30€ ou 40€ por mês, mesmo sem irem. Acho isto bastante mau. Por um lado, entendo que os ginásios, por razões financeiras, têm de saber com quem contam. E até é uma forma de as pessoas não desistirem facilmente. Mas o ginásio deve um sítio onde vamos porque gostamos, não uma obrigação. Já temos contratos com o nosso empregador, com a EDP, com o forncedor de internet e/ou televisão por cabo, que custa-me aceitar este sistema nos ginásios. Mas como disse, eu não ando em ginásios, por isso não me afecta pessoalmente.
01 outubro 2012
Da complexidade
Não gosto do cartão matriz. Sim, esses dos bancos, que tem os códigos para validarmos as transacções. Não tenho assim nenhuma razão muito forte para não gostar dele, mas não é assim especialmente prático. Porque vou ao banco online fazer qualquer coisa e depois lá esta aquilo a pedir as coordenadas. E depois lá tenho eu de ir procurar a mala, a carteira, o cartão... É muito mais fácil usar o sistema das mensagens para o telemóvel, como alguns bancos fazem. O banco envia um código para o telemóvel e já está. Podem dizer que é igual, mas há duas pequenas diferenças. O telemóvel costuma estar sempre mais perto do que a carteira (no meu caso e em muitos, provavelmente) e o código do telemóvel é so um, não temos de andar a procurar por linhas e colunas o dígito que corresponde à coordenada que nos pedem. Em termos de segurança, não sei qual será melhor, mas em termos de comodidade, certamente o telemóvel é bem mais prático.
28 setembro 2012
Da especialidade
Não gosto de iogurte grego. Hoje em dia, toda a gente gosta de iogurte grego. Não conheço ninguém que não goste. Aliás, conheço até quem não goste de mais nenhum tipo de iogurte e goste apenas do grego. Isto foi um fenómeno relâmpago. Um dia, não há iogurte grego à venda em Portugal. No dia seguinte, começam a comercializar e já toda a gente come iogurtes gregos. Eu não gosto. Como, se tiver de ser, mas não gosto especialmente. São espessos demais (os apreciadores provavelmente verão isto como uma vantagem). Para não falar do preço, que são três ou quatro vezes mais caros que um iogurte 'normal'. Se me puserem um iogurte grego à frente e um iogurte de aromas de marca branca à frente, escolho o de aromas, sem hesitação. Parabéns, Danone, pelo êxito da estratégia de marketing, que pelos vistos a mim me passou ao lado.
27 setembro 2012
Do engano
Não gosto daqueles posts onde as pessoas põe as frases de pesquisa que conduziram ao seu blog. Até acho que já mencionei isso aqui. E, mesmo que gostasse, não teria muito material de trabalho, porque a maior parte das pessoas que vem ter ao meo blog, segundo o blogspot, procura mesmo 'não gosto'. Logo são poucas as pessoas que vêm ao engano. Dito isto, e indo contra todos os meus princípios, gostaria apenas de explorar três critérios de pesquisa que me chamaram a atenção e ajudar os leitores que vieram aqui ter enganados, para assim poderem voltar. Primeiro: 'pedro ribeiro divorciou-se'. Sim, o Pedro Ribeiro divorciou-se, já há algum tempo até, e actualmente namora com a Inês Cordeiro, da Comercial, que faz as notícias da manhã, julgo eu. Segundo: 'bases de chuveiro ceramica vs acrilico'. Pois, eu também não sei bem as vantagens de uma e de outra, mas recentemente adquiri uma base de acrílico. Porque são mais baratas e supostamente tão boas como as de cerâmica (duvido um pouco deste último ponto, mas vá...). Terceiro: 'qual a piada do vasco palmeirim'. Nenhuma.
26 setembro 2012
Da artificialidade
Não gosto de coisas falsas. Extensões de cabelo, unhas de gel, extensões de pestanas e todo esse rol de coisas que as mulheres usam para melhorar(?) o seu aspecto visual. Não tenho experiência com todas, felizmente. Tenho apenas com extensões de cabelo e sabe Deus como já foi mais que suficiente. Passo então a resumir a experiência. Maat corta cabelo comprido. Maat farta-se de cabelo curto e começa a obcecar com isso. Maat decide pôr extensões e foder (sim, é mesmo esta a palavra) 350€ (70 contos!!) em extensões. Maat sai do cabeleireiro, no primeiro dia, muito feliz. Maat fica um bocado desiludida no segundo dia, depois de lavar o cabelo. Maat começa a ficar um bocado farta no final da primeira semana, porque não se pode pentear como deve ser. Maat fica aborrecida na segunda semana quando olha para o chão e vê uma madeixa do seu cabelo. Maat começa a obcecar imenso com aquela merda que tem na cabeça na terceira semana. Maat acorda às 4h da manhã na quarta semana com um ataque de loucura e nesse mesmo dia vai ao cabeleireiro foder mais 50€ para lhe tirarem aquela porcaria da cabeça e voltar a ser feliz. Maat jura nunca mais se aproximar de extensões na vida e esconjurar todos os cabeleireiros que trabalhem com isso. Foi um pequeno resumo do que eu passei com as extensões e assumo que sentiria o mesmo com as restantes 'próteses' de coisas que não são nossas na realidade. Tenho a certeza que sentiria o mesmo, quer fosse com pestanas falsas, com maquilhagem permanente ou com silicone. São coisas que não são minhas mesmo, não fazem parte do meu corpo, logo iria ser penoso para mim habituar-me. Conheço casos de quem usa e gosta e sente-se bem. Nada contra, cada um sabe de si. Eu é que prefiro manter-me longe desses artifícios e gostar do meu corpo como é. E esperar que o cabelo cresça naturalmente, mesmo que um dia acorde e o decida rapá-lo com pente 3.
25 setembro 2012
Do espaço
Não gosto de baldes do lixo cheios. É uma coisa que me irrita profundamente. Não sei porque há pessoas que teimam em carregar os baldes do lixo, empurrando o lixo para baixo e tentando à força meter mais alguma coisa. Se vamos ter de despejar e vamos... E o lixo que pusemos à força até acaba por cair... Mal vejo o caixote a chegar ao limite, lá vou eu logo de saco plástico na mão, resolver a situação. O caixote da reciclagem, por exemplo, enche muito rapidamente (especialmente porque sou um bocado preguiçosa e não espalmo todas as embalagens). E lá estou eu pronta para o esvaziar, mal ele encha. É uma coisa que me faz espécie, pronto. Caixotes do lixo têm de ter sempre espaço disponível para mais lixo.
24 setembro 2012
Da evolução
Não gosto da caligrafia dos homens. No que diz respeito a homens a escrever à mão, há três hipóteses. Um (o caso mais raro e que representa apenas uma ínfima percentagem): homens que foram evoluindo a menira como escrevem ao longo dos tempos e têm uma caligrafia bonita (vamos considerar que existem cerca de 700 homens no mundo a quem isto se aplica, um número provavelmente acima da realidade). Dois: homens que sempre tiveram uma caligrafia feia e têm consciência disso e que começaram a escrever apenas em maiúsculas para disfarçar. É uma boa opção, pois pelo menos sabem que a sua letra é má e tentaram resolver isso de algum modo. Em princípio, e pela minha experiência, isto serão cerca de 25% dos homens. Três: homens que nunca melhoraram a sua forma de escrita e que ainda escrevem como se estivessem na escola primária. Caligrafia feia, em muitos casos quase imperceptível, e que não lembra a ninguém que tenha mais de dez anos. Não sei como podem olhar para aquilo que escrevem e gostar do que vêem. E depois aquilo parece uma incongruência: olhamos para um homem, alto e forte e másculo, e depois vemos a sua caligrafia e não parece ter sido feita pela mesma pessoa. Atribuímos os escritos a uma criança de sete anos. Não percebo a cena dos homens e da caligrafia, mas já vi que é um assunto sem hipóteses de melhoria.
21 setembro 2012
Da esperança
Não gosto do ritual de atirar o ramo nos casamentos. Primeiro, é a parvoíce disso, como se quem apanhasse o ramo, fosse mesmo a próxima a casar. Há provas documentadas de que isso é verdade? Depois, é aquele ritual de chamar as solteiras. 'Venham, todas as solteiras têm de vir', assim com aquela atitude de pena e de dever que as solteiras têm de passar por esta prova. Pena por as raparigas serem solteiras, coitadas, nunca casaram, vamos ser solidários e dar-lhes esperança com o ramo. Ridículo. Temos de ficar ali todas juntas, num círculo, à espera que a sorte nos calhe, e dispostas mesmo a partir para a porrada. E só sentimos os olhares de pena em cima de nós. Para piorar tudo, há sempre uma criança que também quer apanhar o ramo, então as pessoas dizem-lhe sempre para ir para a beira das pobres coitadas. E é isso que eu sinto, que somos como crianças, à espera que nos saia a sorte grande para podermos finalmente comer nas mesa dos grandes e sermos respeitadas por isso. É triste e é a parte que mais odeio nos casamentos. Odeio tanto, que me apetece ser casada nestas ocasiões para não ter de passar de novo por aquilo.
20 setembro 2012
Da demora
Não gosto de ser a última a sair dos casamentos. E acabo por ser sempre. Como só tenho ido a casamentos de amigos mais próximos, é normal que acabe sempre por ficar até mais tarde. Quem tem filhos começa a debandar por volta das 22h. Os velhinhos vão às 23h. Perto da meia-noite vão os pais e padrinhos. E depois fica sempre o grupo de amigos até ao fim. Muitos deles já bastante bêbedos, querem ficar para continuarem a beber. Outros apenas para falar. Outros ficam por ficar. E eu odeio ficar para o fim. Porque já estou cansada e cheia de sono. Porque já não há nada para fazer. Porque os noivos provavelmente estão ainda mais cansados do que eu e querem ir às suas vidas. Vou começar a levar crianças emprestadas a casamentos para conseguir pirar-me cedo e ninguém ficar chateado. Ou então bebo muito para desmaiar e ficar a dormir no carro até à hora de vir embora.
19 setembro 2012
Da popularidade
Não gosto do Subway. Toda a gente anda obcecada com o Subway. Subway para aqui, Subway para ali. So há pouco tempo é que descobri o que isso era, em primeiro lugar. Passado algum tempo, sem sequer ter curiosidade, calhou de ir lá experimentar. Comi um wrap e não gostei. Não fiquei com vontade de voltar, até que o pessoal do trabalho combinou ir lá almoçar um dia e eu acabei por aceder e ir com eles. Desta vez fiquei ainda com mais má impressão. A sande que comi não era nada de especial, foi caríssimo e o serviço é péssimo de tão lento. Completamente overrated. Não sei porque é que o Subway anda tanto nas bocas do povo, com preços altíssimos, atendimento lento e comida vulgar. Por mim, não volto
18 setembro 2012
Da festa
Não gosto das Feiras Novas. Para quem não sabe do que falo, é uma festa popular, assim ao estilo romaria, realizada todos os anos em Ponte de Lima, que mobiliza milhares (milhões?) de pessoas. Nunca lá tinha ido e, sinceramente, não via grande vantagem em ir, porque é o tipo de festa que não me atrai especialmente. Mas lá me deixei arrastar. Erro crasso. Milhares de pessoas, pessoas em todo o lado, dá-se um passo e esbarra-se em pessoas. Horas de espera em restaurantes para comer. Palcos com música própria para quem gosta de ecstasy. Bêbedos. Confusão. Querer ficar bêbeda para esquecer no que me fui meter e não conseguir porque continuamente bebem a minha bebida. Querer vir embora e não poder porque não fomos nós que levamos carro. Vir embora já de manhã e ter de parar a cada 15 minutos na auto-estrada porque alguém está mal disposto e quer vomitar. Demorar mais de uma hora para chegar a casa. Decididamente não é o meu tipo de festa.
17 setembro 2012
Das férias
Não gosto de filas para comer. De filas para estacionar. De filas nas Águas. De filas na Loja do Cidadão. De filas nos correios. De filas de trânsito. De filas no IKEA. De reclamar com vendedores de revestimentos. De pedir orçamentos para cozinhas. Pronto, foi o resumo das minhas férias. Quem me dera ter um blog daqueles que as pessoas postam fotos com efeitos bonitos do iPhone. Aposto que iria ganhar o concurso 'férias mais deprimentes'. Mesmo assim são férias e antes isso que trabalhar.
29 agosto 2012
Da sujidade
Não gosto de lavar o carro. Em relação a carros, sou metade homem, metade mulher. Como (quase) todos os homens, sou muito cuidadosa com o carro... do lado de dentro. Não gosto de ter o carro sujo ou com lixo acumulado, com as mulheres normalmente fazem. Gosto de ter o carro sempre limpo e em ordem. Qualquer lixo que tenha, levo sempre comigo quando saio para deitar num caixote. Tenho horror a areia/terra no chão e a tapetes fora do sítio. Gosto de tudo arrumado, mesmo nos porta-luvas. Agora no que toca ao exterior do carro, sou uma mulher autêntica. Aquilo até poda estar carregado de terra, desde que eu conseguisse ver para a frente por mim estava tudo bem. Nada me parece um maior desperdício de água que lavar o carro. Principalmente porque depois chove sempre, como toda a gente sabe. Para além disso, nós andamos dentro, por isso é dentro que tem de estar limpo, por fora é só uma capa. No sítio onde trabalho, há bastantes gaivotas que, invariavelmente, me sujam o carro todo. Tive uma cagadela de gaivota no vidro da porta do condutor, praticamente a tapar-me a visibilidade toda, durante dias. E por mim, lá ficaria até vir chuva para lavar, mas tive sorte que o F. conduziu o carro e, como aquilo lhe fazia confusão, lavou-o imediatamente. O meu pai também me costumava lavar o carro. Acho que para ele era um bocado a sensação de vergonha alheia. Agora que já não lava o meu, acho que gasta esse tempo a polir o dele. Mal entro na rua, vejo o carro dele ao longe, tal é o brilho. Se os homens fossem tão cuidadosos com as casas como são com os carros, de certeza que não haveria mais chatices por causa de limpezas em casa.
28 agosto 2012
Da recusa
Não gosto de festas de anos. As pessoas fazem anos (e a Maat esquece-se) e convidam-nos para um jantar. Um belo jantar para celebrar o dia de festa do/a nosso/a amigo/a. Que às vezes não é assim num restaurante tão barato. E a Maat, apesar de não fazer festas de anos e praticamente não receber prendas de ninguém, tem sempre vergonha de chegar de mãos a abanar, por isso acaba sempre por comprar uma prenda. Que também nunca é assim tão barata quanto podia (devia) ser. E depois do jantar, a malta ainda sugere irmos tomar um copo. E o sítio onde vamos tomar copo nunca tem lugares para estacionar e a Maat, com medo de multas e/ou reboques, põe o carro no parque e gasta ainda mais dinheiro. Resumindo, com esta brincadeira, la se vão uns 40€ ou mais. E é óbvio que depois eu não gosto de festas de anos. Porque às vezes nem gosto assim tanto do restaurante ou nem sou assim tão íntima do aniversariante e vou gastar uma pipa de massa. Preciso de opiniões: como faço para acabar com este desbaste no meu orçamento? É chato aparecer sem levar prenda, por exemplo? Uma coisa é se fizerem um jantar em casa, que aí é óbvio que vou dar prenda. Mas ir a restaurantes e levar prenda por cima... Ou então podia recusar o copo depois do jantar, dizendo que estou cansada. Ou então inventar um compromisso e aparecer só depois do jantar. É que mesmo dando a desculpa de que não podemos gastar muito dinheiro, as pessoas dizem sempre que é só uma vez por ano. Pois, é uma vez por ano para elas, mas eu conheço muita gente, e todos eles fazem anos uma vez por ano. Rai's parta as festas de anos!
PS: Alguém me explica porque é que a letra está diferente, não tendo eu mexido em absolutamente nada? Não sei como resolver isto.
PS: Alguém me explica porque é que a letra está diferente, não tendo eu mexido em absolutamente nada? Não sei como resolver isto.
27 agosto 2012
Da limpeza
Não gosto de ser info-excluída. Nem sou muito, vendo bem as coisas. Mas este fim de semana deparei-me com um conceito que não conhecia: aspiração central. Quer dizer, já tinha ouvido falar disso, mas não sabia bem como funcionava. Sabia que era um qualquer sistema de aspiração por divisão, mas pensava que era uma coisa inteligente, que saíam uns bracinhos de um buraco e aspiravam tudo. Ou então um aspirador tipo aqueles que agora se usam que são redondos e andam pela casa a limpar sozinhos. Mas não. Para quem também não sabe, afinal é só um sítio das divisões onde tem aspiração, mas nós é que temos de varrer a sujidade para lá. É uma espécie de apanhador automático apenas. Não é assim tão cool como eu pensava afinal, por isso não me importo de ser pobre e não ter nada disso.
21 agosto 2012
Da (não) vontade de escrever
Não gosto de injustiças. Há coisas que acontecem que me dão a volta ao estômago de tal maneira que perco toda e qualquer vontade de escrever. E é tudo o que me apetece dizer esta semana, pelo menos por agora. Até já.
17 agosto 2012
Da celebração
Não gosto de muitas coisas. Este blog é prova disso. São tantas as coisas que já deu pano para mangas e posts para DOIS ANOS. Wow, tanto tempo! É isso mesmo, este blog fez ontem dois anos (sou um bocado esquecida no que toca a aniversários). Quando comecei o blog, nunca pensei que poderia durar tanto, ou que poderia vir a ter tantos leitores como agora. Mas o tempo foi passando, as coisas que eu não gosto vão sempre aparecendo e os posts vão surgindo. Com mais ou menos qualidade, que às vezes a inspiração falta e é um bocado à pressão. Mas tenho mantido o meu objectivo, um post por dia, um bocado de má disposição matinal para partilhar com os leitores e juntos ranhosarmos um bocado. Obrigada a todos que me lêem e espero que continuem a cá vir, enquanto o meu meu feitio continuar e eu continuar a não gostar das coisas que me acontecem.
16 agosto 2012
Da insistência
Não gosto que me impinjam coisas que não gosto. E ultimamente isso tem acontecido imenso. Vou comprar uma base de chuveiro e o senhor da loja quer à força vender-me uma de acrílico, querendo eu uma de cerâmica. Não percebo, sendo até a que eu quero mais cara, dando mais lucro ao vendedor, em princípio. Mas eles tentam à força que eu traga a da acrílico 'porque é mais prática', 'porque agora só se usa disto' e mesmo porque 'é mais barata'. Mas se eu quero a outra, mesmo estando consciente das diferenças, que é mais cara e tudo isso, porquê impingir-me a base que eu não quero? Isto lembra-me há uns anos quando andei a pintar a casa e o senhor trolha insistia à viva força para eu pintar o escritório de azul, quando eu lhe disse que queria branco. Ele disse-me umas cem vezes que branco é feio e que já nao se usava e o azul ia ficar muito bonito. Senhor trolha, eu é que pago o seu trabalho, eu é que pago a tinta, o escritório é meu, logo eu pinto da cor que bem me apatecer, quer se use ou não. Já que gosta tanto de azul, pinte a sua casa dessa cor, mas no meu escritório mando eu. Que mania das pessoas de tentarem impor os seus gostos. Eu até estou aberta a sugestões e, vendo que as sugestões são boas, eu até as sigo, mas quando eu digo que não quero e que vou manter a minha primeira escolha, não vale a pena insistirem, ok?
14 agosto 2012
Da ignorância
Não gosto de t-shirts com frases em inglês. Em velhinhos. Que não sabem inglês. Estes três ingredientes dão uma mistura explosiva, se misturados sem cuidado e sem o devido acompanhamento por quem sabe. Nada mais triste que ver homens de meia idade, que não sabem inglês e logo não fazem a mínima ideia do que diz a vestimenta que envergam, com t-shirts a dizerem 'Chicks Magnet'. Ou então, como vi ainda há pouco 'Topless Bikini Contest'. Digam lá se não é triste ver senhores, com ar respeitável, com t-shirts a dizerem coisas destas, sem sequer saberem que andam por aí a dizerem que são ímans para as miúdas ou que participaram em concursos de topless. Senhores que vendem t-shirts com ditos em inglês, por favor elucidem os compradores daquilo que estão a comprar verdadeiramente. Traduzam-lhes as frases para eles não fazerem figuras tristes, pode ser? Muito grata.
PS: Deixo aqui uma curiosidade: andava eu na faculdade e uma professora de inglês comentou com a turma, reparando numa t-shirt de uma colega, que a maioria das t-shirts com frases em inglês quase sempre tinham erros. Comecei a reparar nisso desde então e é mesmo verdade. Ainda outro dia vi uma t-shirt que dizia 'AWSOME' (em vez de awesome) repetido várias vezes.
PS: Deixo aqui uma curiosidade: andava eu na faculdade e uma professora de inglês comentou com a turma, reparando numa t-shirt de uma colega, que a maioria das t-shirts com frases em inglês quase sempre tinham erros. Comecei a reparar nisso desde então e é mesmo verdade. Ainda outro dia vi uma t-shirt que dizia 'AWSOME' (em vez de awesome) repetido várias vezes.
Subscrever:
Mensagens (Atom)