25 setembro 2012

Do espaço

Não gosto de baldes do lixo cheios. É uma coisa que me irrita profundamente. Não sei porque há pessoas que teimam em carregar os baldes do lixo, empurrando o lixo para baixo e tentando à força meter mais alguma coisa. Se vamos ter de despejar e vamos... E o lixo que pusemos à força até acaba por cair... Mal vejo o caixote a chegar ao limite, lá vou eu logo de saco plástico na mão, resolver a situação. O caixote da reciclagem, por exemplo, enche muito rapidamente (especialmente porque sou um bocado preguiçosa e não espalmo todas as embalagens). E lá estou eu pronta para o esvaziar, mal ele encha. É uma coisa que me faz espécie, pronto. Caixotes do lixo têm de ter sempre espaço disponível para mais lixo.

24 setembro 2012

Da evolução

Não gosto da caligrafia dos homens. No que diz respeito a homens a escrever à mão, há três hipóteses. Um (o caso mais raro e que representa apenas uma ínfima percentagem): homens que foram evoluindo a menira como escrevem ao longo dos tempos e têm uma caligrafia bonita (vamos considerar que existem cerca de 700 homens no mundo a quem isto se aplica, um número provavelmente acima da realidade). Dois: homens que sempre tiveram uma caligrafia feia e têm consciência disso e que começaram a escrever apenas em maiúsculas para disfarçar. É uma boa opção, pois pelo menos sabem que a sua letra é má e tentaram resolver isso de algum modo. Em princípio, e pela minha experiência, isto serão cerca de 25% dos homens. Três: homens que nunca melhoraram a sua forma de escrita e que ainda escrevem como se estivessem na escola primária. Caligrafia feia, em muitos casos quase imperceptível, e que não lembra a ninguém que tenha mais de dez anos. Não sei como podem olhar para aquilo que escrevem e gostar do que vêem. E depois aquilo parece uma incongruência: olhamos para um homem, alto e forte e másculo, e depois vemos a sua caligrafia e não parece ter sido feita pela mesma pessoa. Atribuímos os escritos a uma criança de sete anos. Não percebo a cena dos homens e da caligrafia, mas já vi que é um assunto sem hipóteses de melhoria.

21 setembro 2012

Da esperança

Não gosto do ritual de atirar o ramo nos casamentos. Primeiro, é a parvoíce disso, como se quem apanhasse o ramo, fosse mesmo a próxima a casar. Há provas documentadas de que isso é verdade? Depois, é aquele ritual de chamar as solteiras. 'Venham, todas as solteiras têm de vir', assim com aquela atitude de pena e de dever que as solteiras têm de passar por esta prova. Pena por as raparigas serem solteiras, coitadas, nunca casaram, vamos ser solidários e dar-lhes esperança com o ramo. Ridículo. Temos de ficar ali todas juntas, num círculo, à espera que a sorte nos calhe, e dispostas mesmo a partir para a porrada. E só sentimos os olhares de pena em cima de nós. Para piorar tudo, há sempre uma criança que também quer apanhar o ramo, então as pessoas dizem-lhe sempre para ir para a beira das pobres coitadas. E é isso que eu sinto, que somos como crianças, à espera que nos saia a sorte grande para podermos finalmente comer nas mesa dos grandes e sermos respeitadas por isso. É triste e é a parte que mais odeio nos casamentos. Odeio tanto, que me apetece ser casada nestas ocasiões para não ter de passar de novo por aquilo.

20 setembro 2012

Da demora

Não gosto de ser a última a sair dos casamentos. E acabo por ser sempre. Como só tenho ido a casamentos de amigos mais próximos, é normal que acabe sempre por ficar até mais tarde. Quem tem filhos começa a debandar por volta das 22h. Os velhinhos vão às 23h. Perto da meia-noite vão os pais e padrinhos. E depois fica sempre o grupo de amigos até ao fim. Muitos deles já bastante bêbedos, querem ficar para continuarem a beber. Outros apenas para falar. Outros ficam por ficar. E eu odeio ficar para o fim. Porque já estou cansada e cheia de sono. Porque já não há nada para fazer. Porque os noivos provavelmente estão ainda mais cansados do que eu e querem ir às suas vidas. Vou começar a levar crianças emprestadas a casamentos para conseguir pirar-me cedo e ninguém ficar chateado. Ou então bebo muito para desmaiar e ficar a dormir no carro até à hora de vir embora.

19 setembro 2012

Da popularidade

Não gosto do Subway. Toda a gente anda obcecada com o Subway. Subway para aqui, Subway para ali. So há pouco tempo é que descobri o que isso era, em primeiro lugar. Passado algum tempo, sem sequer ter curiosidade, calhou de ir lá experimentar. Comi um wrap e não gostei. Não fiquei com vontade de voltar, até que o pessoal do trabalho combinou ir lá almoçar um dia e eu acabei por aceder e ir com eles. Desta vez fiquei ainda com mais má impressão. A sande que comi não era nada de especial, foi caríssimo e o serviço é péssimo de tão lento. Completamente overrated. Não sei porque é que o Subway anda tanto nas bocas do povo, com preços altíssimos, atendimento lento e comida vulgar. Por mim, não volto

18 setembro 2012

Da festa

Não gosto das Feiras Novas. Para quem não sabe do que falo, é uma festa popular, assim ao estilo romaria, realizada todos os anos em Ponte de Lima, que mobiliza milhares (milhões?) de pessoas. Nunca lá tinha ido e, sinceramente, não via grande vantagem em ir, porque é o tipo de festa que não me atrai especialmente. Mas lá me deixei arrastar. Erro crasso. Milhares de pessoas, pessoas em todo o lado, dá-se um passo e esbarra-se em pessoas. Horas de espera em restaurantes para comer. Palcos com música própria para quem gosta de ecstasy. Bêbedos. Confusão. Querer ficar bêbeda para esquecer no que me fui meter e não conseguir porque continuamente bebem a minha bebida. Querer vir embora e não poder porque não fomos nós que levamos carro. Vir embora já de manhã e ter de parar a cada 15 minutos na auto-estrada porque alguém está mal disposto e quer vomitar. Demorar mais de uma hora para chegar a casa. Decididamente não é o meu tipo de festa.

17 setembro 2012

Das férias

Não gosto de filas para comer. De filas para estacionar. De filas nas Águas. De filas na Loja do Cidadão. De filas nos correios. De filas de trânsito. De filas no IKEA. De reclamar com vendedores de revestimentos.  De pedir orçamentos para cozinhas.  Pronto, foi o resumo das minhas férias. Quem me dera ter um blog daqueles que as pessoas postam fotos com efeitos bonitos do iPhone. Aposto que iria ganhar o concurso 'férias mais deprimentes'. Mesmo assim são férias e antes isso que trabalhar.

29 agosto 2012

Da sujidade

Não gosto de lavar o carro. Em relação a carros, sou metade homem, metade mulher. Como (quase) todos os homens, sou muito cuidadosa com o carro... do lado de dentro. Não gosto de ter o carro sujo ou com lixo acumulado, com as mulheres normalmente fazem. Gosto de ter o carro sempre limpo e em ordem. Qualquer lixo que tenha, levo sempre comigo quando saio para deitar num caixote. Tenho horror a areia/terra no chão e a tapetes fora do sítio. Gosto de tudo arrumado, mesmo nos porta-luvas. Agora no que toca ao exterior do carro, sou uma mulher autêntica. Aquilo até poda estar carregado de terra, desde que eu conseguisse ver para a frente por mim estava tudo bem. Nada me parece um maior desperdício de água que lavar o carro. Principalmente porque depois chove sempre, como toda a gente sabe. Para além disso, nós andamos dentro, por isso é dentro que tem de estar limpo, por fora é só uma capa. No sítio onde trabalho, há bastantes gaivotas que, invariavelmente, me sujam o carro todo. Tive uma cagadela de gaivota no vidro da porta do condutor, praticamente a tapar-me a visibilidade toda, durante dias. E por mim, lá ficaria até vir chuva para lavar, mas tive sorte que o F. conduziu o carro e, como aquilo lhe fazia confusão, lavou-o imediatamente. O meu pai também me costumava lavar o carro. Acho que para ele era um bocado a sensação de vergonha alheia. Agora que já não lava o meu, acho que gasta esse tempo a polir o dele. Mal entro na rua, vejo o carro dele ao longe, tal é o brilho. Se os homens fossem tão cuidadosos com as casas como são com os carros, de certeza que não haveria mais chatices por causa de limpezas em casa.

28 agosto 2012

Da recusa

Não gosto de festas de anos. As pessoas fazem anos (e a Maat esquece-se) e convidam-nos para um jantar. Um belo jantar para celebrar o dia de festa do/a nosso/a amigo/a. Que às vezes não é assim num restaurante tão barato. E a Maat, apesar de não fazer festas de anos e praticamente não receber prendas de ninguém, tem sempre vergonha de chegar de mãos a abanar, por isso acaba sempre por comprar uma prenda. Que também nunca é assim tão barata quanto podia (devia) ser. E depois do jantar, a malta ainda sugere irmos tomar um copo. E o sítio onde vamos tomar copo nunca tem lugares para estacionar e a Maat, com medo de multas e/ou reboques, põe o carro no parque e gasta ainda mais dinheiro. Resumindo, com esta brincadeira, la se vão uns 40€ ou mais. E é óbvio que depois eu não gosto de festas de anos. Porque às vezes nem gosto assim tanto do restaurante ou nem sou assim tão íntima do aniversariante e vou gastar uma pipa de massa. Preciso de opiniões: como faço para acabar com este desbaste no meu orçamento? É chato aparecer sem levar prenda, por exemplo? Uma coisa é se fizerem um jantar em casa, que aí é óbvio que vou dar prenda. Mas ir a restaurantes e levar prenda por cima... Ou então podia recusar o copo depois do jantar, dizendo que estou cansada. Ou então inventar um compromisso e aparecer só depois do jantar. É que mesmo dando a desculpa de que não podemos gastar muito dinheiro, as pessoas dizem sempre que é só uma vez por ano. Pois, é uma vez por ano para elas, mas eu conheço muita gente, e todos eles fazem anos uma vez por ano. Rai's parta as festas de anos!

PS: Alguém me explica porque é que a letra está diferente, não tendo eu mexido em absolutamente nada? Não sei como resolver isto.

27 agosto 2012

Da limpeza

Não gosto de ser info-excluída. Nem sou muito, vendo bem as coisas. Mas este fim de semana deparei-me com um conceito que não conhecia: aspiração central. Quer dizer, já tinha ouvido falar disso, mas não sabia bem como funcionava. Sabia que era um qualquer sistema de aspiração por divisão, mas pensava que era uma coisa inteligente, que saíam uns bracinhos de um buraco e aspiravam tudo. Ou então um aspirador tipo aqueles que agora se usam que são redondos e andam pela casa a limpar sozinhos. Mas não. Para quem também não sabe, afinal é só um sítio das divisões onde tem aspiração, mas nós é que temos de varrer a sujidade para lá. É uma espécie de apanhador automático apenas. Não é assim tão cool como eu pensava afinal, por isso não me importo de ser pobre e não ter nada disso.

21 agosto 2012

Da (não) vontade de escrever

Não gosto de injustiças. Há coisas que acontecem que me dão a volta ao estômago de tal maneira que perco toda e qualquer vontade de escrever. E é tudo o que me apetece dizer esta semana, pelo menos por agora. Até já.

17 agosto 2012

Da celebração

Não gosto de muitas coisas. Este blog é prova disso. São tantas as coisas que já deu pano para mangas e posts para DOIS ANOS. Wow, tanto tempo! É isso mesmo, este blog fez ontem dois anos (sou um bocado esquecida no que toca a aniversários). Quando comecei o blog, nunca pensei que poderia durar tanto, ou que poderia vir a ter tantos leitores como agora. Mas o tempo foi passando, as coisas que eu não gosto vão sempre aparecendo e os posts vão surgindo. Com mais ou menos qualidade, que às vezes a inspiração falta e é um bocado à pressão. Mas tenho mantido o meu objectivo, um post por dia, um bocado de má disposição matinal para partilhar com os leitores e juntos ranhosarmos um bocado. Obrigada a todos que me lêem e espero que continuem a cá vir, enquanto o meu meu feitio continuar e eu continuar a não gostar das coisas que me acontecem.

16 agosto 2012

Da insistência

Não gosto que me impinjam coisas que não gosto. E ultimamente isso tem acontecido imenso. Vou comprar uma base de chuveiro e o senhor da loja quer à força vender-me uma de acrílico, querendo eu uma de cerâmica. Não percebo, sendo até a que eu quero mais cara, dando mais lucro ao vendedor, em princípio. Mas eles tentam à força que eu traga a da acrílico 'porque é mais prática', 'porque agora só se usa disto' e mesmo porque 'é mais barata'. Mas se eu quero a outra, mesmo estando consciente das diferenças, que é mais cara e tudo isso, porquê impingir-me a base que eu não quero? Isto lembra-me há uns anos quando andei a pintar a casa e o senhor trolha insistia à viva força para eu pintar o escritório de azul, quando eu lhe disse que queria branco. Ele disse-me umas cem vezes que branco é feio e que já nao se usava e o azul ia ficar muito bonito. Senhor trolha, eu é que pago o seu trabalho, eu é que pago a tinta, o escritório é meu, logo eu pinto da cor que bem me apatecer, quer se use ou não. Já que gosta tanto de azul, pinte a sua casa dessa cor, mas no meu escritório mando eu. Que mania das pessoas de tentarem impor os seus gostos. Eu até estou aberta a sugestões e, vendo que as sugestões são boas, eu até as sigo, mas quando eu digo que não quero e que vou manter a minha primeira escolha, não vale a pena insistirem, ok?

14 agosto 2012

Da ignorância

Não gosto de t-shirts com frases em inglês. Em velhinhos. Que não sabem inglês. Estes três ingredientes dão uma mistura explosiva, se misturados sem cuidado e sem o devido acompanhamento por quem sabe. Nada mais triste que ver homens de meia idade, que não sabem inglês e logo não fazem a mínima ideia do que diz a vestimenta que envergam, com t-shirts a dizerem 'Chicks Magnet'. Ou então, como vi ainda há pouco 'Topless Bikini Contest'. Digam lá se não é triste ver senhores, com ar respeitável, com t-shirts a dizerem coisas destas, sem sequer saberem que andam por aí a dizerem que são ímans para as miúdas ou que participaram em concursos de topless. Senhores que vendem t-shirts com ditos em inglês, por favor elucidem os compradores daquilo que estão a comprar verdadeiramente. Traduzam-lhes as frases para eles não fazerem figuras tristes, pode ser? Muito grata.

PS: Deixo aqui uma curiosidade: andava eu na faculdade e uma professora de inglês comentou com a turma, reparando numa t-shirt de uma colega, que a maioria das t-shirts com frases em inglês quase sempre tinham erros. Comecei a reparar nisso desde então e é mesmo verdade. Ainda outro dia vi uma t-shirt que dizia 'AWSOME' (em vez de awesome) repetido várias vezes.

13 agosto 2012

Da leitura

Não gosto de não ler. Ler é um hábito e, como todos os hábitos, é uma coisa que se enraíza em nós. Ou se desenraíza. Ao longo da minha vida, sempre li muito. Porque gostava muito e porque tinha tempo. Desde que comecei a trabalhar, os meus hábitos de leitura foram diminuindo, porque o tempo escasseia e há outras coisas para fazer nos tempos livres. No entanto, nunca cheguei a mínimos históricos como hoje em dia. Já
não leio um livro inteiro desde as últimas férias, no ano passado, acho eu. Eu vou explicar o processo, de novo: eu começo a tentar ler livros que não gosto tanto (biografias, romances de autores contemporâneos, crónicas). Como não gosto, acabo por deixar ficar esquecido. Mas como não gosto de deixar livros a meio, não começo um novo. Passado uns tempo, decido começar outra experiência. Começo outro livro e o processo repete-se. Então começo a acumular livros com marcadores a meio. Todos na estante, no sítio dos pendentes. Mas depois de quase um ano, é tempo de assumir: só gosto de clássicos. Não vale a pena tentar ler livros de autores contemporâneos, romances históricos, contos ou outros, eu só gosto de romances dos autores clássicos (aparte Saramago que é um dos meus autores preferidos e é bem mais recente). (Quase) tudo o resto me aborrece. Uma amiga minha já me dizia nos tempos de faculdades que não faltava muito para eu só saber falar Old English, pois eu não lia nada contemporâneo (foi então que me dediquei à saga Harry Potter, para actualizar o inglês - saga ainda não terminada, com o último livro ainda nos pendentes). Mas hoje em dia, com tão pouco tempo livre e tantos livros que quero ler, não quero saber mais disso. Vou só ler o que gosto e voltar ao meu querido Eça de Queiroz.

03 agosto 2012

Do descanso

Não gosto muito de ter férias sem ir para fora. Porque acaba por ser um bocado 'mais do mesmo'. Fica-se por aqui, acaba-se por não fazer nada de especial e gasta-se dinheiro na mesma. E não se muda de ares, que é o mais importante. Mas nem sempre podemos ir de férias, quer porque não arranjamos alojamento a tempo, porque não temos dinheiro para ir, porque temos coisas para tratar aqui, porque precisamos mesmo de descansar... Mas independentemente de estar aqui ou num sítio longe, perto da praia, o que interessa é que para a semana tenho tenho férias e graças a Deus que finalmente chegaram, que eu estava a dar em doida e em modo praticamente-a-ter-um-esgotamento-nervoso-por-isso-não-me-chateiem. Uma semana é pouco, mas dá para descansar, que é o que mais quero e preciso de momento. Por isso, caros leitores, ficam avisados que para a semana não haverá posts, apesar de eu andar por aqui (e não, não tenho nenhum iPad ou iCoisanenhuma) e ir dando um salto à net para ver os vossos posts. Boa semana para vocês!

02 agosto 2012

Da culpa

Não gosto de multas. Quem segue o blog já sabe do meu historial de multas, consequência da minha incapacidade de andar devagar. Até aqui nada de novo. Mas, finalmente, encontrei a peça que faltava para o puzzle fazer sentido. No outro dia, o meu namorado conduzia o meu carro, enquanto ouvíamos Rammstein bem alto. Então ele disse 'Agora percebo porque nunca andas devagar'. E fez-se luz! O problema não sou eu, és tu (sempre quis dizer isto). És tu, música dos Rammstein do demo, que me fazes andar sempre com o pé no acelerador e apanhar multas infinitas. Para vocês verem com eu tenho mesmo um problema, se a polícia me mandasse parar, do nada, e dissesse que eu tinha de pagar uma multa de 300€, eu rapidamente sacava da carteira e dizia 'Sim, senhor guarda, é para já', porque me sinto permanentemente culpada e em transgressão. Depois de perceber a causa do problema, encontrei a solução: vou começar a ouvir Radiohead. Tenho a certeza que depois de uma semana a ouvir a música deprimente dos Radiohead todos os dias me transformarei numa daquelas pessoas que anda a 30 km/h nas localidades e a 80 na auto-estrada, sempre a fazer fila. Mas sem multas.

01 agosto 2012

Do fingimento

Não gosto de pessoas falsas. Falsas, cínicas, hipócritas, fingidas, é tudo a mesma coisa. Pessoas que não gostam de outras pessoas mas conseguem fingir de tal forma, que ninguém diria que por trás são umas cabras. Eu entendo que, mesmo não gostando de alguém, não temos de ser antipáticos para essa pessoa, ou responder-lhe sempre torto. Às vezes, somos mesmo obrigados a lidar com alguém que não gostamos, quer seja em situações pessoais ou profissionais, e não podemos azedar demasiado as relações. Aliás, há mesmo profissões que vivem disso, por exemplo relações públicas ou delegados de informação médica (que vivem de engraxar médicos). Mas daí a sermos (parecermos) super amiguinhos não. Manter o mínimo de educação e cordialidade basta. Não sei como há pessoas que têm estômago suficiente para fingir que gostam de alguém e rir-se com essa pessoa e tomar café com essa pessoa até, quando na verdade não gostam dela. É uma capacidade que eu de facto não tenho, o que por vezes acaba por me prejudicar. Com tanto cinismo por aí, mais valia entrar na onda do fingimento também e, mesmo com as minhas péssimas capacidades de representação, às tantas ninguém ia reparar.

31 julho 2012

Do vazio

Não gosto da silly season da blogosfera. Está toda a gente de férias e os poucos que ainda não estão não têm nada para ler. Poucos actualizam o blog e os que o fazem é como se estivessem a falar para as moscas, porque não vai lá ninguém ler e comentar. Até sinto que estou a desperdiçar inspiração, porque ninguém vai ler isto, nem agora, porque não há ninguém cá, nem quando voltarem de férias, porque não estão para ir ler posts de há um mês atrás. Ao menos hoje não está calor, o que é um bocadinho melhor, tanto para trabalhar, como para não invejar os que estão de férias. Bloggers que ainda têm acesso à internet, vá lá, escrevam qualquer coisa para nos entreter e fazer o tempo até às férias passar mais rápido.

30 julho 2012

Da vergonha

Não gosto dos alarmes da roupa e acessórios. Os alarmes que as lojas põem para as pessoas não roubarem. E não gosto porquê? Pois, precisamente, toco em todas as lojas. É impressionante, por mais que eu avise, nunca tiram os alarmes todos. Às tantas até fazem de propósito. É certinho, compro alguma coisa e quando vou a sair pela porta da loja lá começa aquilo a tocar. Tenho de ir para trás, para procurarem a peça com o alarme escondido. Ou então também me acontece frequentemente as carteiras e porta-moedas, especialmente os da Blanco, activarem o alarme de novo. Segundo as moças da Blanco, depois de várias reclamações, eles não têm culpa, pois o alarme pode reactivar-se estando exposto ao calor (?). Assim sendo, também é normal eu entrar numa loja com uma carteira que já tenho há muito tempo e aquilo começar a tocar. Lá tenho eu de explicar que não, não roubei nada, é só uma peça da Blanco. Para verem como isto é uma praga que me persegue, até quando comprei um disco rígido passei vergonhas. Comprei na Rádio Popular, saí de lá e tudo bem. A seguir entro na Blanco e alarme começa aos berros. Lá detectámos que era o disco e toca a voltar à Rádio Popular, onde praticamente armei um escândalo. Disseram-me que era uma peça qualquer que o disco tinha que disparava o alarme e não um alarme em si. Ora bolas, mesmo artigos sem alarme têm peças que disparam os alarmes das lojas? Começo a ficar um pouco farta desta merda e pouco falta para escrever num Livro de Reclamações acerca desta situação. O que posso eu fazer? Se há carteiras onde o alarme está numa etiqueta, por exemplo, eu corto-a imediatamente. Mas se o alarme está dentro, não vou rasgar a carteira, não é? E se há peças que por si só disparam o alarme, estamos perto do fm do mundo. Alguém que me ajude. Estou farta de ser parada das lojas. Tenho bases para escrever no Livro de Reclamações com razão? Há alguma coisa que eu possa fazer?

26 julho 2012

Da firmeza

Não gosto de pessoas troca-tintas. Pessoas que hoje dizem uma coisa e amanhã já acham outra. Pessoas que mudam de opinião muito facilmente, a maior parte das vezes influenciadas por outras. Notem que eu não acho mal nenhum em mudar de opinião, acho até saudável de uma certa forma, é sinal que as pessoas aprenderam, cresceram e acabaram a pensar de outra maneira. O que me faz confusão são pessoas que estão constantemente nisto. Hoje não gostam de verde, mas amanhã já gostam. E depois de amanhã dizem mal do verde de novo. Tenho para mim que estas são pessoas que se deixam influenciar muito facilmente e que levam a opinião dos outros demasiado em conta, tentando moldar-se a ela. Não defendo que as pessoas sejam todas tão cabeça dura como eu, que abuso nisso das ideias fixas, mas um pouco de assertividade e firmeza nas suas escolhas e opiniões fica sempre bem.

25 julho 2012

Da distracção

Não gosto de esquecimentos. Eu sou, provavelmente, a pessoa mais distraída, mais cabeça no ar, mais esquecida que conheço. Podem dizer-me para daqui a cinco minutos ligar de volta que daqui a 10 segundos já não me lembro de nada. Esqueço-me de tudo. Por isso tenho de arranjar artifícios para minimizar esta falha. A aplicação das notas e do alarme no telemóvel, com indicação da tarefa, uma agenda onde aponto todos os meus compromisos, marcados ou previstos, e mais um moleskine onde aponto tudo o que tenho para fazer. Mas tudo mesmo, tipo não me esquecer de deitar as lâmpadas fundidas no electrão. É horrível, principalmente em termos de trabalho, onde vivo constantemente em terror com medo de me esquecer de fazer alguma coisa importante. História da minha vida: 'Não te esqueças de me ligar daqui a 15 minutos para me acordar, tenho de estudar para um exame', 'Sim, eu ligo-te'. Passado três horas: 'Obrigadinha por me teres acordado, dormi a manhã toda e não estudei nada', 'Oopss...' É horrível, odeio ser assim, mas não consigo mesmo fazer mais nada para melhorar isto.

PS: Acrescento mais um pormenor importante: os mails sem anexos. Ai os mails sem anexos... Dezenas. 'Peço desculpa, envio agora o anexo que, por lapso, não incluí no mail anterior'.

24 julho 2012

Da normalidade

Não gosto da teoria que coisas diferentes do habitual 'cansam'. Passo a explicar. É normal quando alguém pensa fazer uma tatuagem haver um conselheiro que diz para não fazer num sítio que a pessoa veja todos os dias, senão 'cansa'. Ora isto é uma parvoíce. Se as pessoas gostam mesmo, têm mais é que ver. Eu vejo as minhas todos os dias e não me canso e já as tenho há muito tempo. Não sei quem inventou esta teoria. Outra exemplo é esta teoria aplicada à decoração. Em termos de cozinhas, sofás, cor predominante do quarto, se queremos pôr uma cor vibrante e alegre, vermelho, verde ou laranja, por exemplo, é também muito normal vir alguém que, na sua infinita sabedoria, nos diz para não pormos essas cores, porque 'acabam por cansar'. Então quê, só podemos usar cores sensaboronas na decoração na nossa casa, não fugir do branco, bege e cinza claro? Aposto que imensas pessoas já se deixaram levar por esta cantiga e acabaram por não pôr as cores que realmente gostavam, só com medo que 'cansasse'. Senhores, o que cansa é acartar tijolos e sacos de cimentos ou correr 30 kms, não é ter a cozinha vermelha!

20 julho 2012

Do pudor

Não gosto de transparências. Hoje em dia vê-se muito, o que não quer dizer que seja bonito. As moças andam por aí alegremente a passear pelas ruas e a mostrar os seus soutiens coloridos e as suas tangas, sem pudor. Chamem-me púdica, mas a roupa interior deverá ser isso mesmo, interior. Cada vez se usam mais tecidos esburacados, rendados, transparentes, que naturalmente potenciam uma espécie de visão raio X da nossa roupa interior. Acho que fica muito mal um soutien preto por baixo de uma blusa branca transparente. As miúdas já não aprendem coisas básicas, como por exemplo que o soutien deverá ser da mesma cor, ou de uma cor aproximada da roupa? Se uma blusa é branca, o soutien deverá ser branco, para não se notar tanto. Ou aqueles cor da pele, que ainda se notam menos, apesar de a cor ser feia, por si só. Mas não, usam soutiens pretos ou rosa forte, para se ver bem ao longe. É um problema só meu? Sou eu que sou demasiado old fashioned para não gostar que desconhecidos vejam a minha roupa interior? Ou é realmente um problema de falta de vergonha generalizada?

19 julho 2012

Da insistência

Não gosto de velhinhos na passadeira. Velhinhos na passadeira são um problema. Eles estão lá e querem efectivamente atravessar. Ora nós vimos no nosso carro e vemos os velhinhos na passadeira e paramos. E então os velhinhos mandam-nos seguir. É uma particularidade especial dos velhinhos, é nunca quererem passar à primeira. Os condutores páram e eles mandam-nos seguir sempre. É que ainda se nos mandassem seguir antes de pararmos, dava-nos jeito. Mas eles costumam fazer isso apenas depois de já termos imobilizado o veículo. E então estamos ali minutos a insistir, tipo 'Não, passe o senhor' e o velhinho 'não, passe você' e nós 'insisto, passe' e o velhinho 'eu tenho tempo, ande lá' e nós já piursos 'passe mas é de uma vez' e eles ao fim de cinco minutos disto lá acabam por atravessar. Gostava de saber porque fazem isto. É por terem tempo? É por não quererem incomodar ninguém? E já nem vou falar naqueles que ficam à beira da passadeira alegremente, a ver a banda, sem quererem atravessar, a enganar os condutores, que param, e só depois é que eles avisam que não, não querem atravessar, só estão ali.
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