29 agosto 2012

Da sujidade

Não gosto de lavar o carro. Em relação a carros, sou metade homem, metade mulher. Como (quase) todos os homens, sou muito cuidadosa com o carro... do lado de dentro. Não gosto de ter o carro sujo ou com lixo acumulado, com as mulheres normalmente fazem. Gosto de ter o carro sempre limpo e em ordem. Qualquer lixo que tenha, levo sempre comigo quando saio para deitar num caixote. Tenho horror a areia/terra no chão e a tapetes fora do sítio. Gosto de tudo arrumado, mesmo nos porta-luvas. Agora no que toca ao exterior do carro, sou uma mulher autêntica. Aquilo até poda estar carregado de terra, desde que eu conseguisse ver para a frente por mim estava tudo bem. Nada me parece um maior desperdício de água que lavar o carro. Principalmente porque depois chove sempre, como toda a gente sabe. Para além disso, nós andamos dentro, por isso é dentro que tem de estar limpo, por fora é só uma capa. No sítio onde trabalho, há bastantes gaivotas que, invariavelmente, me sujam o carro todo. Tive uma cagadela de gaivota no vidro da porta do condutor, praticamente a tapar-me a visibilidade toda, durante dias. E por mim, lá ficaria até vir chuva para lavar, mas tive sorte que o F. conduziu o carro e, como aquilo lhe fazia confusão, lavou-o imediatamente. O meu pai também me costumava lavar o carro. Acho que para ele era um bocado a sensação de vergonha alheia. Agora que já não lava o meu, acho que gasta esse tempo a polir o dele. Mal entro na rua, vejo o carro dele ao longe, tal é o brilho. Se os homens fossem tão cuidadosos com as casas como são com os carros, de certeza que não haveria mais chatices por causa de limpezas em casa.

28 agosto 2012

Da recusa

Não gosto de festas de anos. As pessoas fazem anos (e a Maat esquece-se) e convidam-nos para um jantar. Um belo jantar para celebrar o dia de festa do/a nosso/a amigo/a. Que às vezes não é assim num restaurante tão barato. E a Maat, apesar de não fazer festas de anos e praticamente não receber prendas de ninguém, tem sempre vergonha de chegar de mãos a abanar, por isso acaba sempre por comprar uma prenda. Que também nunca é assim tão barata quanto podia (devia) ser. E depois do jantar, a malta ainda sugere irmos tomar um copo. E o sítio onde vamos tomar copo nunca tem lugares para estacionar e a Maat, com medo de multas e/ou reboques, põe o carro no parque e gasta ainda mais dinheiro. Resumindo, com esta brincadeira, la se vão uns 40€ ou mais. E é óbvio que depois eu não gosto de festas de anos. Porque às vezes nem gosto assim tanto do restaurante ou nem sou assim tão íntima do aniversariante e vou gastar uma pipa de massa. Preciso de opiniões: como faço para acabar com este desbaste no meu orçamento? É chato aparecer sem levar prenda, por exemplo? Uma coisa é se fizerem um jantar em casa, que aí é óbvio que vou dar prenda. Mas ir a restaurantes e levar prenda por cima... Ou então podia recusar o copo depois do jantar, dizendo que estou cansada. Ou então inventar um compromisso e aparecer só depois do jantar. É que mesmo dando a desculpa de que não podemos gastar muito dinheiro, as pessoas dizem sempre que é só uma vez por ano. Pois, é uma vez por ano para elas, mas eu conheço muita gente, e todos eles fazem anos uma vez por ano. Rai's parta as festas de anos!

PS: Alguém me explica porque é que a letra está diferente, não tendo eu mexido em absolutamente nada? Não sei como resolver isto.

27 agosto 2012

Da limpeza

Não gosto de ser info-excluída. Nem sou muito, vendo bem as coisas. Mas este fim de semana deparei-me com um conceito que não conhecia: aspiração central. Quer dizer, já tinha ouvido falar disso, mas não sabia bem como funcionava. Sabia que era um qualquer sistema de aspiração por divisão, mas pensava que era uma coisa inteligente, que saíam uns bracinhos de um buraco e aspiravam tudo. Ou então um aspirador tipo aqueles que agora se usam que são redondos e andam pela casa a limpar sozinhos. Mas não. Para quem também não sabe, afinal é só um sítio das divisões onde tem aspiração, mas nós é que temos de varrer a sujidade para lá. É uma espécie de apanhador automático apenas. Não é assim tão cool como eu pensava afinal, por isso não me importo de ser pobre e não ter nada disso.

21 agosto 2012

Da (não) vontade de escrever

Não gosto de injustiças. Há coisas que acontecem que me dão a volta ao estômago de tal maneira que perco toda e qualquer vontade de escrever. E é tudo o que me apetece dizer esta semana, pelo menos por agora. Até já.

17 agosto 2012

Da celebração

Não gosto de muitas coisas. Este blog é prova disso. São tantas as coisas que já deu pano para mangas e posts para DOIS ANOS. Wow, tanto tempo! É isso mesmo, este blog fez ontem dois anos (sou um bocado esquecida no que toca a aniversários). Quando comecei o blog, nunca pensei que poderia durar tanto, ou que poderia vir a ter tantos leitores como agora. Mas o tempo foi passando, as coisas que eu não gosto vão sempre aparecendo e os posts vão surgindo. Com mais ou menos qualidade, que às vezes a inspiração falta e é um bocado à pressão. Mas tenho mantido o meu objectivo, um post por dia, um bocado de má disposição matinal para partilhar com os leitores e juntos ranhosarmos um bocado. Obrigada a todos que me lêem e espero que continuem a cá vir, enquanto o meu meu feitio continuar e eu continuar a não gostar das coisas que me acontecem.

16 agosto 2012

Da insistência

Não gosto que me impinjam coisas que não gosto. E ultimamente isso tem acontecido imenso. Vou comprar uma base de chuveiro e o senhor da loja quer à força vender-me uma de acrílico, querendo eu uma de cerâmica. Não percebo, sendo até a que eu quero mais cara, dando mais lucro ao vendedor, em princípio. Mas eles tentam à força que eu traga a da acrílico 'porque é mais prática', 'porque agora só se usa disto' e mesmo porque 'é mais barata'. Mas se eu quero a outra, mesmo estando consciente das diferenças, que é mais cara e tudo isso, porquê impingir-me a base que eu não quero? Isto lembra-me há uns anos quando andei a pintar a casa e o senhor trolha insistia à viva força para eu pintar o escritório de azul, quando eu lhe disse que queria branco. Ele disse-me umas cem vezes que branco é feio e que já nao se usava e o azul ia ficar muito bonito. Senhor trolha, eu é que pago o seu trabalho, eu é que pago a tinta, o escritório é meu, logo eu pinto da cor que bem me apatecer, quer se use ou não. Já que gosta tanto de azul, pinte a sua casa dessa cor, mas no meu escritório mando eu. Que mania das pessoas de tentarem impor os seus gostos. Eu até estou aberta a sugestões e, vendo que as sugestões são boas, eu até as sigo, mas quando eu digo que não quero e que vou manter a minha primeira escolha, não vale a pena insistirem, ok?

14 agosto 2012

Da ignorância

Não gosto de t-shirts com frases em inglês. Em velhinhos. Que não sabem inglês. Estes três ingredientes dão uma mistura explosiva, se misturados sem cuidado e sem o devido acompanhamento por quem sabe. Nada mais triste que ver homens de meia idade, que não sabem inglês e logo não fazem a mínima ideia do que diz a vestimenta que envergam, com t-shirts a dizerem 'Chicks Magnet'. Ou então, como vi ainda há pouco 'Topless Bikini Contest'. Digam lá se não é triste ver senhores, com ar respeitável, com t-shirts a dizerem coisas destas, sem sequer saberem que andam por aí a dizerem que são ímans para as miúdas ou que participaram em concursos de topless. Senhores que vendem t-shirts com ditos em inglês, por favor elucidem os compradores daquilo que estão a comprar verdadeiramente. Traduzam-lhes as frases para eles não fazerem figuras tristes, pode ser? Muito grata.

PS: Deixo aqui uma curiosidade: andava eu na faculdade e uma professora de inglês comentou com a turma, reparando numa t-shirt de uma colega, que a maioria das t-shirts com frases em inglês quase sempre tinham erros. Comecei a reparar nisso desde então e é mesmo verdade. Ainda outro dia vi uma t-shirt que dizia 'AWSOME' (em vez de awesome) repetido várias vezes.

13 agosto 2012

Da leitura

Não gosto de não ler. Ler é um hábito e, como todos os hábitos, é uma coisa que se enraíza em nós. Ou se desenraíza. Ao longo da minha vida, sempre li muito. Porque gostava muito e porque tinha tempo. Desde que comecei a trabalhar, os meus hábitos de leitura foram diminuindo, porque o tempo escasseia e há outras coisas para fazer nos tempos livres. No entanto, nunca cheguei a mínimos históricos como hoje em dia. Já
não leio um livro inteiro desde as últimas férias, no ano passado, acho eu. Eu vou explicar o processo, de novo: eu começo a tentar ler livros que não gosto tanto (biografias, romances de autores contemporâneos, crónicas). Como não gosto, acabo por deixar ficar esquecido. Mas como não gosto de deixar livros a meio, não começo um novo. Passado uns tempo, decido começar outra experiência. Começo outro livro e o processo repete-se. Então começo a acumular livros com marcadores a meio. Todos na estante, no sítio dos pendentes. Mas depois de quase um ano, é tempo de assumir: só gosto de clássicos. Não vale a pena tentar ler livros de autores contemporâneos, romances históricos, contos ou outros, eu só gosto de romances dos autores clássicos (aparte Saramago que é um dos meus autores preferidos e é bem mais recente). (Quase) tudo o resto me aborrece. Uma amiga minha já me dizia nos tempos de faculdades que não faltava muito para eu só saber falar Old English, pois eu não lia nada contemporâneo (foi então que me dediquei à saga Harry Potter, para actualizar o inglês - saga ainda não terminada, com o último livro ainda nos pendentes). Mas hoje em dia, com tão pouco tempo livre e tantos livros que quero ler, não quero saber mais disso. Vou só ler o que gosto e voltar ao meu querido Eça de Queiroz.

03 agosto 2012

Do descanso

Não gosto muito de ter férias sem ir para fora. Porque acaba por ser um bocado 'mais do mesmo'. Fica-se por aqui, acaba-se por não fazer nada de especial e gasta-se dinheiro na mesma. E não se muda de ares, que é o mais importante. Mas nem sempre podemos ir de férias, quer porque não arranjamos alojamento a tempo, porque não temos dinheiro para ir, porque temos coisas para tratar aqui, porque precisamos mesmo de descansar... Mas independentemente de estar aqui ou num sítio longe, perto da praia, o que interessa é que para a semana tenho tenho férias e graças a Deus que finalmente chegaram, que eu estava a dar em doida e em modo praticamente-a-ter-um-esgotamento-nervoso-por-isso-não-me-chateiem. Uma semana é pouco, mas dá para descansar, que é o que mais quero e preciso de momento. Por isso, caros leitores, ficam avisados que para a semana não haverá posts, apesar de eu andar por aqui (e não, não tenho nenhum iPad ou iCoisanenhuma) e ir dando um salto à net para ver os vossos posts. Boa semana para vocês!

02 agosto 2012

Da culpa

Não gosto de multas. Quem segue o blog já sabe do meu historial de multas, consequência da minha incapacidade de andar devagar. Até aqui nada de novo. Mas, finalmente, encontrei a peça que faltava para o puzzle fazer sentido. No outro dia, o meu namorado conduzia o meu carro, enquanto ouvíamos Rammstein bem alto. Então ele disse 'Agora percebo porque nunca andas devagar'. E fez-se luz! O problema não sou eu, és tu (sempre quis dizer isto). És tu, música dos Rammstein do demo, que me fazes andar sempre com o pé no acelerador e apanhar multas infinitas. Para vocês verem com eu tenho mesmo um problema, se a polícia me mandasse parar, do nada, e dissesse que eu tinha de pagar uma multa de 300€, eu rapidamente sacava da carteira e dizia 'Sim, senhor guarda, é para já', porque me sinto permanentemente culpada e em transgressão. Depois de perceber a causa do problema, encontrei a solução: vou começar a ouvir Radiohead. Tenho a certeza que depois de uma semana a ouvir a música deprimente dos Radiohead todos os dias me transformarei numa daquelas pessoas que anda a 30 km/h nas localidades e a 80 na auto-estrada, sempre a fazer fila. Mas sem multas.

01 agosto 2012

Do fingimento

Não gosto de pessoas falsas. Falsas, cínicas, hipócritas, fingidas, é tudo a mesma coisa. Pessoas que não gostam de outras pessoas mas conseguem fingir de tal forma, que ninguém diria que por trás são umas cabras. Eu entendo que, mesmo não gostando de alguém, não temos de ser antipáticos para essa pessoa, ou responder-lhe sempre torto. Às vezes, somos mesmo obrigados a lidar com alguém que não gostamos, quer seja em situações pessoais ou profissionais, e não podemos azedar demasiado as relações. Aliás, há mesmo profissões que vivem disso, por exemplo relações públicas ou delegados de informação médica (que vivem de engraxar médicos). Mas daí a sermos (parecermos) super amiguinhos não. Manter o mínimo de educação e cordialidade basta. Não sei como há pessoas que têm estômago suficiente para fingir que gostam de alguém e rir-se com essa pessoa e tomar café com essa pessoa até, quando na verdade não gostam dela. É uma capacidade que eu de facto não tenho, o que por vezes acaba por me prejudicar. Com tanto cinismo por aí, mais valia entrar na onda do fingimento também e, mesmo com as minhas péssimas capacidades de representação, às tantas ninguém ia reparar.

31 julho 2012

Do vazio

Não gosto da silly season da blogosfera. Está toda a gente de férias e os poucos que ainda não estão não têm nada para ler. Poucos actualizam o blog e os que o fazem é como se estivessem a falar para as moscas, porque não vai lá ninguém ler e comentar. Até sinto que estou a desperdiçar inspiração, porque ninguém vai ler isto, nem agora, porque não há ninguém cá, nem quando voltarem de férias, porque não estão para ir ler posts de há um mês atrás. Ao menos hoje não está calor, o que é um bocadinho melhor, tanto para trabalhar, como para não invejar os que estão de férias. Bloggers que ainda têm acesso à internet, vá lá, escrevam qualquer coisa para nos entreter e fazer o tempo até às férias passar mais rápido.

30 julho 2012

Da vergonha

Não gosto dos alarmes da roupa e acessórios. Os alarmes que as lojas põem para as pessoas não roubarem. E não gosto porquê? Pois, precisamente, toco em todas as lojas. É impressionante, por mais que eu avise, nunca tiram os alarmes todos. Às tantas até fazem de propósito. É certinho, compro alguma coisa e quando vou a sair pela porta da loja lá começa aquilo a tocar. Tenho de ir para trás, para procurarem a peça com o alarme escondido. Ou então também me acontece frequentemente as carteiras e porta-moedas, especialmente os da Blanco, activarem o alarme de novo. Segundo as moças da Blanco, depois de várias reclamações, eles não têm culpa, pois o alarme pode reactivar-se estando exposto ao calor (?). Assim sendo, também é normal eu entrar numa loja com uma carteira que já tenho há muito tempo e aquilo começar a tocar. Lá tenho eu de explicar que não, não roubei nada, é só uma peça da Blanco. Para verem como isto é uma praga que me persegue, até quando comprei um disco rígido passei vergonhas. Comprei na Rádio Popular, saí de lá e tudo bem. A seguir entro na Blanco e alarme começa aos berros. Lá detectámos que era o disco e toca a voltar à Rádio Popular, onde praticamente armei um escândalo. Disseram-me que era uma peça qualquer que o disco tinha que disparava o alarme e não um alarme em si. Ora bolas, mesmo artigos sem alarme têm peças que disparam os alarmes das lojas? Começo a ficar um pouco farta desta merda e pouco falta para escrever num Livro de Reclamações acerca desta situação. O que posso eu fazer? Se há carteiras onde o alarme está numa etiqueta, por exemplo, eu corto-a imediatamente. Mas se o alarme está dentro, não vou rasgar a carteira, não é? E se há peças que por si só disparam o alarme, estamos perto do fm do mundo. Alguém que me ajude. Estou farta de ser parada das lojas. Tenho bases para escrever no Livro de Reclamações com razão? Há alguma coisa que eu possa fazer?

26 julho 2012

Da firmeza

Não gosto de pessoas troca-tintas. Pessoas que hoje dizem uma coisa e amanhã já acham outra. Pessoas que mudam de opinião muito facilmente, a maior parte das vezes influenciadas por outras. Notem que eu não acho mal nenhum em mudar de opinião, acho até saudável de uma certa forma, é sinal que as pessoas aprenderam, cresceram e acabaram a pensar de outra maneira. O que me faz confusão são pessoas que estão constantemente nisto. Hoje não gostam de verde, mas amanhã já gostam. E depois de amanhã dizem mal do verde de novo. Tenho para mim que estas são pessoas que se deixam influenciar muito facilmente e que levam a opinião dos outros demasiado em conta, tentando moldar-se a ela. Não defendo que as pessoas sejam todas tão cabeça dura como eu, que abuso nisso das ideias fixas, mas um pouco de assertividade e firmeza nas suas escolhas e opiniões fica sempre bem.

25 julho 2012

Da distracção

Não gosto de esquecimentos. Eu sou, provavelmente, a pessoa mais distraída, mais cabeça no ar, mais esquecida que conheço. Podem dizer-me para daqui a cinco minutos ligar de volta que daqui a 10 segundos já não me lembro de nada. Esqueço-me de tudo. Por isso tenho de arranjar artifícios para minimizar esta falha. A aplicação das notas e do alarme no telemóvel, com indicação da tarefa, uma agenda onde aponto todos os meus compromisos, marcados ou previstos, e mais um moleskine onde aponto tudo o que tenho para fazer. Mas tudo mesmo, tipo não me esquecer de deitar as lâmpadas fundidas no electrão. É horrível, principalmente em termos de trabalho, onde vivo constantemente em terror com medo de me esquecer de fazer alguma coisa importante. História da minha vida: 'Não te esqueças de me ligar daqui a 15 minutos para me acordar, tenho de estudar para um exame', 'Sim, eu ligo-te'. Passado três horas: 'Obrigadinha por me teres acordado, dormi a manhã toda e não estudei nada', 'Oopss...' É horrível, odeio ser assim, mas não consigo mesmo fazer mais nada para melhorar isto.

PS: Acrescento mais um pormenor importante: os mails sem anexos. Ai os mails sem anexos... Dezenas. 'Peço desculpa, envio agora o anexo que, por lapso, não incluí no mail anterior'.

24 julho 2012

Da normalidade

Não gosto da teoria que coisas diferentes do habitual 'cansam'. Passo a explicar. É normal quando alguém pensa fazer uma tatuagem haver um conselheiro que diz para não fazer num sítio que a pessoa veja todos os dias, senão 'cansa'. Ora isto é uma parvoíce. Se as pessoas gostam mesmo, têm mais é que ver. Eu vejo as minhas todos os dias e não me canso e já as tenho há muito tempo. Não sei quem inventou esta teoria. Outra exemplo é esta teoria aplicada à decoração. Em termos de cozinhas, sofás, cor predominante do quarto, se queremos pôr uma cor vibrante e alegre, vermelho, verde ou laranja, por exemplo, é também muito normal vir alguém que, na sua infinita sabedoria, nos diz para não pormos essas cores, porque 'acabam por cansar'. Então quê, só podemos usar cores sensaboronas na decoração na nossa casa, não fugir do branco, bege e cinza claro? Aposto que imensas pessoas já se deixaram levar por esta cantiga e acabaram por não pôr as cores que realmente gostavam, só com medo que 'cansasse'. Senhores, o que cansa é acartar tijolos e sacos de cimentos ou correr 30 kms, não é ter a cozinha vermelha!

20 julho 2012

Do pudor

Não gosto de transparências. Hoje em dia vê-se muito, o que não quer dizer que seja bonito. As moças andam por aí alegremente a passear pelas ruas e a mostrar os seus soutiens coloridos e as suas tangas, sem pudor. Chamem-me púdica, mas a roupa interior deverá ser isso mesmo, interior. Cada vez se usam mais tecidos esburacados, rendados, transparentes, que naturalmente potenciam uma espécie de visão raio X da nossa roupa interior. Acho que fica muito mal um soutien preto por baixo de uma blusa branca transparente. As miúdas já não aprendem coisas básicas, como por exemplo que o soutien deverá ser da mesma cor, ou de uma cor aproximada da roupa? Se uma blusa é branca, o soutien deverá ser branco, para não se notar tanto. Ou aqueles cor da pele, que ainda se notam menos, apesar de a cor ser feia, por si só. Mas não, usam soutiens pretos ou rosa forte, para se ver bem ao longe. É um problema só meu? Sou eu que sou demasiado old fashioned para não gostar que desconhecidos vejam a minha roupa interior? Ou é realmente um problema de falta de vergonha generalizada?

19 julho 2012

Da insistência

Não gosto de velhinhos na passadeira. Velhinhos na passadeira são um problema. Eles estão lá e querem efectivamente atravessar. Ora nós vimos no nosso carro e vemos os velhinhos na passadeira e paramos. E então os velhinhos mandam-nos seguir. É uma particularidade especial dos velhinhos, é nunca quererem passar à primeira. Os condutores páram e eles mandam-nos seguir sempre. É que ainda se nos mandassem seguir antes de pararmos, dava-nos jeito. Mas eles costumam fazer isso apenas depois de já termos imobilizado o veículo. E então estamos ali minutos a insistir, tipo 'Não, passe o senhor' e o velhinho 'não, passe você' e nós 'insisto, passe' e o velhinho 'eu tenho tempo, ande lá' e nós já piursos 'passe mas é de uma vez' e eles ao fim de cinco minutos disto lá acabam por atravessar. Gostava de saber porque fazem isto. É por terem tempo? É por não quererem incomodar ninguém? E já nem vou falar naqueles que ficam à beira da passadeira alegremente, a ver a banda, sem quererem atravessar, a enganar os condutores, que param, e só depois é que eles avisam que não, não querem atravessar, só estão ali.

18 julho 2012

Da dificuldade

Não gosto que abram as embalagens mal. É um problema essencialmente dos homens. Embalagens de toalhitas que têm aquele selo para manter a frescura rasgadas num canto qualquer, embalagens de arroz abertas de pernas para o ar... Já cheguei a ver um pacote de leite, que até tem picotado para abrir e tudo, aberto pelo fundo! Se aquilo tem sítios próprios para abrir, se tem abertura fácil, porque não usá-los? Odeio ver embalagens mal abertas, fico possuída. Senhores, e senhoras mais desatentas até, antes de abirem as embalagens pelo primeiro sítio que vos chega às mãos, percam três segundos da vossa vida a olhar e a ver se aquilo não tem uma abertura fácil. É que às vezes estamos ali a forçar, a forçar, sem necessidade, porque basta tentar do outro lado e aquilo abre logo. Lembrem-se desta lição: se é muito difícil de abrir, é provável que estejam a abrir mal.

17 julho 2012

Da igualdade

Não gosto de mobiliário moderno. Vamos a lojas de mobiliário e as mobílias modernas são todas iguais. Linhas rectas, cores escuras (castanho e preto, especialmente, e um ou outro apontamento de cor) e todas iguais. Por isso é que hoje em dia quem entra numa casa moderna, já as viu todas, não vale a pena perder tempo a ver mais. Tudo igual: cortinados iguais, tapetes iguais, sofás iguais, mobília igual. Será que as pessoas não têm originalidade para arranjar peças diferentes para decorar a sua casa? Ou será que toda a gente gosta da mesma coisa? Parece-me difícil acreditar nisto. Eu sei que com a chegada do IKEA a Portugal as casas uniformizaram-se um bocado, em termos de decoração, quer seja porque quase toda a gente compra lá tudo, por ser barato, ou porque as outras lojas fazem coisas semelhantes ao IKEA. Mas mesmo no IKEA, há outras alternativas à monotonia. Às vezes nem é preciso ser a mobília inteira. Basta uma ou outra peça para dar um ar diferente a todo o conjunto. Se calhar, o problema é meu, que embirro demasiado com este tipo de mobília, não nego, mas poça, as casas são todas iguais!

16 julho 2012

Da iluminação

Não gosto de lâmpadas económicas.  Já sei que toda a gente me vai cair em cima, isto não é nada politicamente correcto, mas vá, admitam, é muito chato ligarmos a luz e aquilo demorar uns 10 minutos para iluminar bem, não é? O sítio onde me aborrece mais é na casa de banho. Para já, porque não tem luz natural, logo dependo unicamente de iluminação artificial. Depois porque o processo de ir lá é tão rápido, que quando saio ainda não deu tempo para aquilo iluminar decentemente. Todo o tempo que lá estou aquilo fica assim na penumbra. A minha sorte é não ser homem, senão seria difícil acertar na sanita na obscuridade. Será que não há outras lâmpadas económicas e amigas do ambiente que dêem luz, como é a sua função?

13 julho 2012

Da tortura

Não gosto de tarefas domésticas. Cozinhar, tratar da roupa e da loiça, limpar e tudo o resto que é preciso fazer numa casa não é mesmo a minha praia. Hoje em dia isto é um bocado comum, mas também tenho algumas amigas que adoram tudo isso e gostavam de trocar o trabalho pela vida doméstica, se pudessem (super freaks...). Ficar em casa a bordar e tratar das crianças era o sonho delas. Eu rapidamente daria em louca. Cozinhar é o meu pior pesadelo. Mais facilmente comia bolachas com queijo e sandes de chourição a vida toda que cozinhava a todas as refeições. Passar a ferro é chato chato, limpar o pó é horrível e tratar da roupa é outra seca descomunal. Lavar a loiça é suportável, lavar casas de banho idem. Não me importo muito de limpar e arrumar, pôr as coisas nos seus devidos sítios, desde que em doses moderadas. O que mais gosto de fazer é aspirar (dahhh, é o mais fácil) e passar o chão com a esfregona. Confesso que não há nada como ter a casa sempre impecável, a cheirar a limpo, mas nem sempre há tempo para o fazer. Odeio pó e desarrumação e quando vejo a casa em pantanas desespero um bocado. Contratar uma empregada está fora de questão (pelos menos a médio prazo), por isso só me resta lamentar-me o resto da vida e fazer as coisas contrariada. Raios de casas que não se limpam a elas próprias!

12 julho 2012

Da limpeza

Não gosto de pessoas que não lavam o cabelo todos os dias 'porque faz mal', e que, por isso, andam como cabelo oleoso. É normal quando vou ao cabeleireiro que me perguntem com que frequência lavo o cabelo. E eu naturalmente respondo  que lavo todos os dias. E cai o carmo e a trindade. 'Ai que lavar todos dias faz mal', 'apodrece a raiz', ' o cabelo não tem tempo de secar' e outros mitos do género. Senhores/as cabeleireiros, eu até percebo que vocês acreditem nessas coisas, apesar de eu não o fazer, mas vocês acham mesmo que eu ia andar com o cabelo oleoso só porque faz mal lavar todos os dias? E ainda ia ter de tomar banho de touca para não molhar o cabelo nos dias em que não o queria lavar, não? Esqueçam isso, eu prefiro correr riscos e lavar todos os dias. E não andar com o cabelo a escorrer ou então cair naquele cliché de amarrar o cabelo para disfarçar.

11 julho 2012

Da arrumação

Não gosto de deitar coisas fora. Por isso, ao longo dos anos, vou acumulando tralha inútil. Uma pedrinha que trouxe não sei de onde, uma borboleta que saiu num ovo kinder, uma caixa de maquilhagem que era muito gira, uma caneta que não escreve mas que tem um desenho muito bonito, rodas de móveis que nunca usei mas que podem um dia ser precisas, um porta-chaves partido que já não é porta-chaves mas que foi não sei quem que me deu... Bem, acho que dá para perceber a idea. Não gosto mesmo de deitar coisas fora e depois deixo-me um bocado levar pela parte sentimental. Por isso tenho um escritório cheio de lixo. Mas quando começo a deitar coisas fora, também é difícil parar, porque fico assim como que embuída do espírito da arrumação e tudo o que me aparecer à frente é quase certo que acaba num saco do lixo. Nos últimos tempos, fiz cerca de três arrumações ao escritório e, ao todo, acho que enchi pelo menos sete sacos do lixo. E senti-me muito bem. Isso e todo o espaço livre que ficou disponível. E acho que ainda estou um bocado possuída pela espírito da limpeza, por isso provavelmente ainda vou perder o amor a mais tralha inútil e continuar a ensacar.

10 julho 2012

Da divulgação

Não gosto de mudanças. Especialmente de mudanças para pior. Por isso hoje vou fazer aqui um apelo. Eu nem sou destas coisas, e os resultados dos apelos na internet valem o que valem, mas neste caso penso que se justifica, até porque é sobre uma coisa da internet. Ora o que acontece é que há a possibilidade de o Ciberdúvias da Língua Portuguesa fechar, por falta de apoio, nomeadamente dos CTT, que deixaram de patrocinar o portal. O portal agora permanece apenas com a ajuda da Fundação Vodafone, as instalações da Universidade Lusófona e um professor, estando no horizonte a possibilide de encerramento (aqui), depois de um período antecipado de férias, sem certezas de retorno. Eu não tenho poder nenhum na internet, mas peço a todas os leitores, especialmente aqueles mais conhecidos, com blogs que têm um maior impacto a nível nacional, para ajudarem a divulgar este apelo. Eu percebo que estamos em época de crise e que é preciso cortar em todo o lado, mas terá de haver outra solução que não o encerramento do Ciberdúvidas. Este é um portal que ajuda os falantes de Língua Portuguesa, que tira as dúvidas mais pertinentes dos utilizadores, revelando-se sempre muito útil. Eu não conheço nenhum outro site do género e posso dizer que este muitas vezes já me foi útil, quando tenho alguma dúvida é raro o caso em que essa mesma dúvida não esteja explicada no Ciberdúvidas. Numa altura em que a Língua Portuguesa é cada vez mais maltratada por essa internet fora, especialmente, e em que o Novo Acordo Ortográfico está em processo de implementação, acho importante termos um site ao qual podemos recorrer para tirar as dúvidas que temos em relação à nossa Língua e que nos ajuda a escrever sempre melhor. Vamos lutar para que o Ciberdúvidas volte no final das férias, como sempre aconteceu. Não acabem com o Ciberdúvidas!
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